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Cul t ivando o Amor que Agradece

2.  Cul t ivando o Amor que Agradece 2.  Cul t ivando o Amor que Agradece
Amor  é o vocábulo mais importante em qualquer idioma — e
também  o   que  mais   gera   confusão!   Pensadores,   tanto   seculares
quanto  religiosos,  concordam que este sentimento ocupa um papel
central em nossa vida. Diz-se que “o amor é uma coisa esplendorosa”
e “o amor faz o mundo girar”. Milhares de livros, músicas, revistas e
filmes   existem  pela   inspiração   dessa   palavra.   Inúmeros   sistemas
filosóficos e teológicos estabeleceram um lugar de destaque para esse
sentimento.  E o  fundador  da  fé cristã coloca o amor  como a ca-
racterística que deve distinguir seus seguidores.
1
Psicólogos   concluíram   que   sentir-se   amado   é   a   principal
necessidade   do   ser   humano.   Por   amor,   subimos   montanhas,
atravessamos mares,  cruzamos desertos e enfrentamos  todo  tipo de
adversidade.  Sem amor,  montanhas   tornam-se  insuperáveis,  mares
intransponíveis,  desertos  insuportáveis e dificuldades avolumam-se
pela vida afora.  O apóstolo dos gentios,  Paulo,  exaltou o amor  ao
afirmar que qualquer ato humano não motivado por esse sentimento
é em si  vazio e sem significado.  Concluiu que na  última cena do
drama   humano,   somente   três   características   permanecerão:   “fé,
esperança e amor. Porém, a maior delas, é o amor”.
2
Se   concordarmos   que   a   palavra   amor   permeia   a   sociedade
humana, tanto no passado, como no presente, devemos admitir que
também é uma das mais confusas. Nós a utilizamos em milhares de
formas.  Dizemos:  “Eu amo cachorro quente!” e,  numa outra frase:
“Eu amo minha mãe!” Nós a usamos para descrever atividades que
apreciamos: nadar, patinar e caçar. Amamos objetos: comida, carros
e casas. Amamos animais: cachorros, gatos e até tartarugas. Amamos
a natureza: árvores, grama, flores e estações. Amamos pessoas: mãe,
pai, filhos, esposas, maridos e amigos. Chegamos até a nos apaixonar
pelo próprio amor.
Como se isso tudo não fosse suficientemente confuso, também
usamos a palavra amor para explicar determinados comportamentos:
“Agi  dessa  forma porque a amo”.  Essa explicação muitas vezes é dada como desculpa. Um homem que se envolve em adultério chama
esse  relacionamento de  amor.  O pastor,  por   sua vez,  chama-o de
pecado.  A  esposa  de  um  alcoólatra   recolhe  os   “pedaços”   após  o
último “episódio” de seu marido. Ela chama essa atitude de amor; os
psiquiatras,   porém,   tratam-na   como   co-dependente.  Um  pai   que
atende a todos os desejos de seu filho também chama essa atitude de
amor. Um terapeuta familiar chamaria de paternidade irresponsável.
O que é um comportamento amoroso?
O propósito deste livro não é o de desfazer a confusão que gira
em  torno  deste   sublime   sentimento,  mas   focalizar   aquele   tipo de
amor que é essencial  a nossa saúde emocional.  Psicólogos  infantis
afirmam que  toda  criança possui  necessidades  emocionais  básicas
que devem ser supridas para que se possa atingir uma estabilidade
emocional.  Entre elas,  nenhuma é  tão essencial  quanto o amor,  a
afeição e a necessidade de alguém sentir que pertence a outro e é
querido.  Com  um  suprimento   adequado   de   afeição,   uma   criança
tornar-se-á um adulto responsável. Sem esse amor essencial, ele ou
ela ficará emocional e socialmente atrofiado.
Logo que ouvi a metáfora que cito a seguir, gostei muito dela:
“Dentro de cada criança há um ‘tanque emocional’ esperando para
ser   cheio  com  o   amor.  Se   ela   se   sentir   amada,   desenvolver-se-á
normalmente;   porém,   se   seu  “tanque  de   amor”   estiver  vazio,   ela
apresentará   muitas   dificuldades.   Diversos   dos   problemas   de
comportamento de uma criança provêm do  fato de seu  ‘tanque de
amor’ estar vazio”. Essa metáfora foi dada pelo Dr. Ross Campbell,
um  psiquiatra   que   se   especializou   no   tratamento   de   crianças   e
adolescentes.
Enquanto eu o ouvia falar, pensei nas centenas de pais que, em
meu   escritório,   desfilavam  as   inúmeras   reclamações   sobre   seus
filhos. Até então, eu nunca pensara em uma criança daquelas como
um “tanque de amor” vazio, mas sem dúvida via os resultados dessa
situação.  Os problemas de comportamento apresentados eram uma
forma de procurar o amor que não recebiam. Eles buscavam o amor
nos lugares e nas formas erradas.
Lembrei-me de Ashley que aos treze anos de idade cuidava de
uma doença sexualmente transmissível. Seus pais estavam chocados.
Ficaram  “uma   fera”   com  a   filha   e   também muito  bravos   com  a escola, a qual culpavam por ensinarem sobre sexo. “Por que é que ela
teve de fazer o que fez?”, perguntavam.
No âmago da existência do ser
humano encontra-se o desejo
de intimidade e de ser amado.
O casamento foi idealizado
para suprir essas necessidades.
Em minha conversa com Ashley, ela me falou do divórcio de
seus pais quando tinha apenas seis anos de idade.
“Eu pensei que meu pai tinha ido embora porque não gostava
de mim! Quando minha mãe casou-se novamente eu estava com dez
anos de idade. Então pensei que ela já tinha quem a amasse, e eu não
possuía ninguém. Eu desejava tanto ser amada por alguém! E então
conheci   esse   garoto  lá   na   escola.  Ele   era   bem mais   velho,  mas
gostava de mim!  Eu não conseguia acreditar!  Ele era muito gentil
comigo  e,  por  um  tempo,   acreditei  que   ele  realmente  gostava  de
mim. Eu não queria fazer sexo, mas desejava desesperadamente ser
amada!”
O  “tanque  de   amor”  de  Ashley  ficou vazio durante  muitos
anos.   Sua   mãe   e   seu   padrasto   providenciavam   tudo   que   ela
necessitava   em  termos  materiais,  mas   não   perceberam  a   enorme
carência emocional que havia dentro dela. Eles certamente a amavam
e   achavam que   ela   se   sentia   amada  por   eles.   Já   era  quase   tarde
demais quando descobriram que não falavam a primeira linguagem
do amor de Ashley.
A   necessidade   de   alguém  ser   amado   emocionalmente,   no
entanto, não é uma característica unicamente infantil. Ela nos segue
pela vida adulta; inclusive no casamento. Quando nos apaixonamos,
temporariamente essa necessidade é  suprida,  mas  ela  se  torna um
“quebra-galho”   e,   como   acabamos   descobrindo  mais   tarde,   com
duração limitada e até prevista. Após despencarmos dos píncaros da
paixão,   a necessidade emocional  de  ser  amado  ressurge  porque  é
inerente   à   nossa   natureza.   Está   no   centro   de   nossos   desejos
emocionais.   Precisamos   do   amor   antes   de   nos   apaixonar   e
continuaremos a necessitar dele enquanto vivermos.A necessidade de sermos amados por  nosso cônjuge está na
essência   dos   anseios   conjugais.   Recentemente   certo   cidadão  me
disse:
“De que adianta  ter  mansão,  carros,  casa na praia e  tudo o
mais, se sua esposa não o ama?!”
Dá para entender o que ele realmente desejava dizer? Era:
“Mais do que tudo, eu desejo ser amado por minha esposa!”
As  coisas  materiais  não podem  substituir  o amor  humano e
emocional. Uma esposa disse, certa vez:
“Ele me  ignora o dia  inteirinho,  mas  à noite quer fazer sexo
comigo. Eu odeio isso!”
Ela não odeia  sexo,  mas  precisa desesperadamente do amor
emocional.
Alguma   coisa   em  nossa   natureza   clama   por   ser   amado   ou
amada. O isolamento é devastador para a psique humana. E por esse
motivo que o confinamento é considerado a mais cruel das punições.
No âmago da nossa existência há o íntimo desejo de sermos amados.
O   casamento   foi   idealizado   para   atingir   essa   necessidade   de
intimidade e de amor. Por esse motivo os antigos registros bíblicos
dizem que o homem e a mulher tornam-se uma só carne.  Isso não
significa que as pessoas perderão suas  identidades;  quer  dizer  que
ambos entrarão nas vidas um do outro, de forma íntima e profunda.
O Novo Testamento desafia os maridos e as esposas a amarem-se
mutuamente.   De   Platão   a   Peck   os   escritores   têm  enfatizado   a
importância do amor no casamento.
No   entanto,   esse   amor   que  é   tão   importante,   também   é
“escorregadio”. Tenho ouvido a confissão de muitos casais contando
suas queixas secretas.  Alguns chegam a mim porque a dor interior
tornou-se praticamente insuportável. Outros, porque percebem que o
comportamento que assumem perante as  falhas do cônjuge poderá
levar  o casamento à destruição.  Há  também os  que  simplesmente
vêm para falar que não querem mais continuar casados. Seus sonhos
de “viverem felizes para sempre” espatifaram-se contra o duro muro
da realidade. Repetidas vezes ouço as palavras:“Nosso amor   terminou.  O  relacionamento morreu.  Sentíamo-
nos  próximos  um do outro,  mas  agora  isso não existe mais.  Não
apreciamos  mais   ficar   juntos.  Não nos   completamos  mais  um  ao
outro.”
Essas histórias testificam que tanto os adultos como as crianças
possuem “tanques de amor”.
Será que lá no interior de cada um desses casais machucados
existe um indicador invisível de um “tanque” vazio? Será que esses
comportamentos  inadequados,  separações,  palavras duras e espírito
crítico acontecem devido a esse “tanque” vazio? Se pudermos achar
uma forma de enchê-lo, será que o casamento renasceria? O “tanque”
cheio possibilitaria que os casais criassem um clima emocional onde
seria possível discutir as diferenças e resolver os conflitos? Será que
esse “tanque” é a chave para que um casamento perdure?
Essas perguntas  levaram-me a uma  longa viagem.  Em plena
estrada   descobri   os   simples,   porém   poderosos   pontos   de   vista
registrados   neste   livro.   Essa   caminhada   levou-me   não   somente
através   de  mais   de   vinte   anos   de   aconselhamento   conjugai,  mas
também  às  mentes   e   corações   de   centenas   de   casais   através   da
América do Norte. De Seattle a Miami, fui convidado a adentrar no
recôndito do casamento de vários casais e conversamos francamente.
As  histórias apresentadas  neste  livro  foram  retiradas  da vida  real.
Nomes   e   lugares   foram  trocados  para  proteger   a  privacidade  das
pessoas que falaram com toda a liberdade.
Estou convencido de que manter cheio o “tanque de amor” do
casamento  é tão  importante quanto manter o nível  do óleo em um
automóvel. Levar um casamento com o “tanque de amor” vazio pode
ser até mais difícil do que tentar dirigir um carro sem combustível. O
que você descobrirá nesta obra tem o potencial para salvar milhares
de casamentos, podendo também melhorar o clima emocional de um
matrimônio que já esteja indo bem. Qualquer que seja a qualidade de
seu casamento, sempre pode melhorar.
ADVERTÊNCIA:  Compreender  os cinco  idiomas do amor  e
aprender a falar a primeira linguagem do amor de seu cônjuge pode
alterar   completamente   o   comportamento   dele.   As   pessoas
relacionam-se de forma diferente quando seu “tanque de amor” está cheio.
Antes   de   examinarmos   as   cinco   linguagens   do   amor,
precisamos abordar um outro importante, porém confuso fenômeno:
A eufórica experiência de apaixonar-se.
Notas
1.  João 13.35
2.  1 Coríntios 13.13

 Apaixonando-se 3.  Apaixonando-se
Ela entrou em meu escritório sem hora marcada e perguntou à
minha secretária se poderia falar comigo durante cinco minutos. Eu
conhecia Janice há muito tempo. Ela estava com 36 anos e nunca se
casara. Havia namorado vários rapazes no passar dos anos: um deles
durante seis anos, outro durante três e diversos por curtos períodos de
tempo.  De vez em quando ela marcava uma consulta comigo para
conversar   sobre   alguma   dificuldade   específica   que   estivesse   atra-
vessando em algum de seus relacionamentos. Ela era, por natureza,
uma   pessoa   disciplinada,   consciente,   organizada,   reflexiva   e
cuidadosa.  Era completamente fora de suas características aparecer
em meu escritório sem ter hora marcada. Eu pensei: “Só alguma crise
terrível   faria  Janice vir  aqui   sem marcar  hora!” Então,  eu disse à
minha secretária que a deixasse entrar. Eu realmente esperava vê-la
debulhada   em  lágrimas,   contando-me   alguma   trágica   experiência
logo ao abrir a porta. No entanto, ela literalmente pulou para dentro
da sala, gritando animadamente. Perguntei-lhe:
— Como vai, Janice?
— Ótima! Nunca estive melhor em toda minha vida! Vou me
casar!
— É mesmo? (Eu disse demonstrando minha surpresa!)
— Com quem? Quando?— Com David Gallespie, em setembro.
—   Isso   é   maravilhoso!   Há   quanto   tempo   vocês   estão
namorando?
— Três semanas Sei que é loucura, Dr. Chapman, depois de ter
namorado   tantos   outros   e   de   tantas   vezes   ter   chegado   perto   do
casamento. Eu mesma não consigo acreditar, mas sei que o David é o
rapaz certo para mim! Pela primeira vez, nós dois descobrimos isso
juntos. É claro que não falamos sobre esse assunto na primeira vez
que saímos, mas uma semana depois ele me pediu em casamento. Eu
sabia que ele me pediria e eu aceitaria. Nunca me senti assim antes,
Dr. Chapman. O senhor conhece os relacionamentos que tive nesses
anos todos e as lutas que enfrentei. Em cada um deles, alguma coisa
não dava certo. Nunca tive a certeza de que deveria me casar com
algum deles, mas agora sei que David é a pessoa preparada por Deus!
Nesse momento Janice balançava-se para frente e para trás em
sua cadeira, rindo e dizendo:
— Sei  que parece  loucura,  mas estou tão feliz! Nunca estive
tão feliz em toda minha vida.
O que acontecia com Janice? Ela estava apaixonada.  Em sua
mente, David era o homem mais maravilhoso que ela já conhecera.
Ele era perfeito em todas as formas e também se tornaria o marido
ideal. Ela pensava nele dia e noite. O fato de David já ter sido casado
duas vezes, possuir três filhos e ter passado, somente no ano anterior,
por  três empregos diferentes,  não  lhe  importava.  Ela estava feliz e
convencida de que seria feliz para sempre ao lado dele.  Ela estava
apaixonada.
 A maioria de nós entra para o casamento pela porta do amor.
Ocorre de conhecermos alguém que possui  características físicas e
marcas em sua personalidade que disparam nosso sistema de alerta.
Os sinos  tocam,  e  iniciamos o processo da descoberta de quem é
aquela   pessoa.   No   primeiro   encontro   pode   ser   servido   um
hambúrguer ou um belo churrasco, dependendo do nosso orçamento,
mas   nosso   real   interesse   não   é   a   comida.   Entramos   em   uma
empreitada para conhecer o amor. “Será que esse sentimento ardente,
borbulhante dentro de mim pode ser algo real?”Algumas vezes essas borbulhas desaparecem logo no primeiro
encontro,  ao descobrirmos que ela,  ou ele,   funga.  Dessa  forma,  as
borbulhas escorregam por nossos dedos e não queremos mais comer
hambúrguer com aquela pessoa.  Outras vezes,  porém,  as borbulhas
aumentam mais ainda, após aquele lanche. Arrumamos vários outros
encontros  e,  pouco  tempo depois,  o nível  de   intensidade chega  a
ponto de afirmarmos:  “Acho que estou apaixonada  (o)!” Pensando
que o sentimento é algo real, contamos à outra pessoa esperando que
isso seja recíproco. Se não é,  as coisas dão uma esfriada, ou então
redobramos   nossos   esforços   para   impressionar   e   acabamos,
eventualmente, conquistando o amor de nosso (a) amado (a). Quando
há reciprocidade começamos a falar sobre casamento, porque todos
concordam que estar  apaixonado é um alicerce necessário para se
manter um bom casamento.
Nossos sonhos, antes de
nos casarmos, são de êxtase
conjugai... É difícil pensar-se
qualquer outra coisa, quando
estamos apaixonados.
Nesse   patamar,   estar   apaixonado   (a)  é   uma   experiência
eufórica.  Um  fica emocionalmente obcecado pelo outro.  Dorme-se
pensando nele (nela). Levanta-se e aquela pessoa é a primeira coisa
que nos vem à mente. Ansiamos por estar juntos. Gastar tempo um
com o outro é como estar na antecâmara do céu. Quando andamos de
mãos   dadas,   é   como   se   nossos  corações   batessem   no   mesmo
compasso. Beijaríamos um ao outro para sempre, se não tivéssemos
de   ir   à   escola   ou   ao   trabalho.   O   abraçar   estimula   sonhos   de
casamento e êxtase.  O  rapaz apaixonado  tem a  ilusão de que  sua
amada é perfeita. A mãe pode ver falhas, mas ele, não. A mãe diz:
— Querido,  você  já considerou o  fato de que ela esteve em
tratamento psiquiátrico durante cinco anos?
Ele, porém, replica:
— Oh,  mãe,  dá um tempo! Já faz três meses que ela está de
alta.Seus amigos também vêem algumas falhas, mas não se atrevem
a dizer nada, a menos que ele peça, e as chances disso acontecer são
inexistentes porque, em sua cabeça, ela é perfeita e o que os outros
pensam, não lhe importa.
Nossos sonhos, antes de nos casarmos, são de êxtase conjugai:
— Vamos fazer um ao outro superfelizes. Outros casais podem
discutir e brigar, mas isso não acontecerá conosco! Nós nos amamos.
Naturalmente,  não  ficamos  de  todo enganados.  Sabemos,  ao
utilizar  o  racional,  que  teremos algumas diferenças.  Porém,   temos
certeza de que conversaremos  abertamente  sobre elas,  um de nós
cederá   e   assim  chegaremos   a   um denominador   comum.  É muito
difícil pensar algo diferente quando se vive um clima de paixão.
Somos   levados   a   acreditar   que,   se   realmente   estivermos
apaixonados,   esse   amor   durará   para   sempre.   Os   maravilhosos
sentimentos dos quais partilhamos no momento nos acompanharão
até  o  fim de  nossas  vidas.  Nada   se   interporá   entre  nós.  Estamos
enamorados e aprisionados pela beleza e charme da personalidade
um do outro. Nosso amor é a melhor coisa da qual já desfrutamos.
Notamos que alguns casais chegaram a perder esse sentimento, mas
isso   nunca   acontecerá   conosco.   Fazemos,   portanto,   a   seguinte
colocação:
“É possível que eles nunca tenham sentido um amor verdadeiro
como o nosso!”
Infelizmente,  a eternidade da paixão é uma  ficção e não  um
fato. A psicóloga Dorothy Tennov desenvolveu longos estudos sobre
este fenômeno. Após estudar os comportamentos entre os casais, ela
concluiu que o tempo médio de extensão da obsessão romântica é de
dois anos. Se a paixão foi um fruto proibido, talvez dure um pouco
mais. Eventualmente, todos nós descemos das nuvens e pisamos com
nossos pés em terra novamente. Nossos olhos abrem-se e passamos a
enxergar as “verrugas” da outra pessoa. Descobrimos que alguns de
seus  traços de personalidade são realmente  irritantes.  Seus padrões
de comportamento aborrecem-nos. Possuem também capacidade para
machucar e irar-se, e utilizam também palavras duras e julgamentos
críticos.   Esses   traços   que   não   percebemos   quando   estávamos apaixonados   tornam-se   agora   enormes   montanhas.   Então   nos
recordamos das palavras ditas por nossa mãe e perguntamos a nós
mesmos: “Como pude ser tão tolo?”
Bem-vindos ao mundo real do casamento, onde fios de cabelo
sempre estarão na pia e respingos brancos da pasta de dente estarão
no espelho;  discussões ocorrem por causa do  lado de se colocar o
papel higiênico: se a folha deve ser puxada por baixo ou por cima. E
um mundo   onde   os   sapatos   não  andam  até   o  guarda-roupa   e   as
gavetas não fecham sozinhas; os casacos não gostam de cabides e pés
de meia somem quando vão para a máquina de lavar. Nesse mundo,
um olhar pode machucar, uma palavra pode quebrar. Amantes podem
tornar-se inimigos e o casamento um campo de batalha sem trégua.
O que aconteceu com a paixão? Que coisa! Foi uma ilusão que
nos   enganou   e   levou-nos   a   assinar   nossos   nomes   na   linha
pontilhada... na alegria e na tristeza. Não é de se admirar que tantos
amaldiçoem o casamento e o ex-cônjuge,  a quem um dia amaram.
Além disso,  se  fomos enganados,   temos o direito de  ficar  bravos.
Será  que   foi   realmente   amor?  Acho que   sim.  O problema   é  que
houve falta de informação.
A principal   falha na  informação é o  falso conceito de que a
paixão   dura   para   sempre.  Deveríamos   saber   disso.  Uma   simples
observação   é   o   bastante   para   concluirmos   que,   se   as   pessoas
permanecessem   obcecadas   pela   paixão,   estaríamos   em   grandes
apuros.  As   ondas   da   paixão   iriam  de   encontro   aos   negócios,   à
indústria, à igreja, à educação e ao restante da sociedade. Por quê?
Porque pessoas apaixonadas perdem o  interesse nas outras coisas.
Por   esse   motivo   também   chamamos   a   paixão   de   obsessão.   O
estudante colegial que entra em uma “paixão avassaladora”, vê suas
notas  despencarem.  É difícil  concentrar-se  nos  estudos  quando  se
está   apaixonado.  Amanhã   vai   cair   na   prova   a   Segunda  Guerra
Mundial.  Mas,  quem se  importa com essa guerra? Quando se está
apaixonado (a), tudo o mais parece irrelevante. Um certo senhor me
disse:
— Dr.  Chapman,  meu   trabalho   é   estafante!  Eu,   então,   lhe
perguntei:
— O que você quer dizer com isso?— Eu conheci uma garota, apaixonei-me por ela e desde então
não consigo fazer mais nada! Não consigo concentrar-me no serviço.
Fico o dia inteiro sonhando com ela!
A euforia do estado de paixão concede-nos a  ilusão de que
estamos em um relacionamento bem íntimo. Sentimos como se nos
pertencêssemos um ao outro. Passamos a pensar que somos capazes
de enfrentar qualquer problema que surja. Sentimo-nos altruístas em
relação um ao outro. Um jovem disse a respeito de sua noiva:
“Não consigo nem pensar  em  fazer  algo que a magoe.  Meu
único desejo é vê-la feliz!”
Essa obsessão dá-nos o falso sentimento de que nossas atitudes
egocêntricas   foram erradicadas  e  tornamo-nos  um  tipo de “Madre
Teresa de Calcutá”, de tão desejosos que ficamos de fazer qualquer
coisa para o bem de nosso  (a)  amado  (a).  A  razão pela qual  nos
sentimos   tão  à vontade para  fazer   tais  coisas,  deve-se ao  fato de
sinceramente   acreditarmos   que   a   pessoa   por   quem   estamos
apaixonados sente o mesmo por nós.  Cremos que ela  também está
comprometida   em   suprir   nossas   necessidades,   e   ama-nos   tanto
quanto a amamos e também nada fará para nos magoar.
Esse  modo   de   pensar  é   realmente   uma   utopia.  Não   é   que
sejamos hipócritas quanto ao que pensamos e sentimos, mas estamos
dominados por expectativas irreais. Cometemos um erro de avaliação
da  natureza humana.  Normalmente  somos  egoístas.  Nosso mundo
resume-se   em  nós  mesmos.  Ninguém  é   inteiramente   altruísta.  A
euforia da paixão é que estabelece essa ilusão.
Uma vez que a experiência da paixão siga seu rumo normal (é
bom  lembrar  que,  em média,  a paixão dura por  volta de uns dois
anos),   retornamos  ao mundo  real   e  começamos  a  nos   impor.  Ele
expressa seus desejos, mas são diferentes dos dela. Ele deseja sexo,
mas ela está muito cansada! Ele quer comprar um carro novo, mas
ela diz que essa idéia é um absurdo. Ela quer visitar os pais, mas ele
diz que não quer  gastar   tanto  tempo com a  família dela.  Ele quer
jogar futebol, mas ela diz:
— Você gosta mais de futebol do que de mim!!
Gradativamente  a  ilusão da  intimidade dilui-se  e os  desejos individuais,   as   emoções,   os   pensamentos   e   os   padrões   de
comportamento   assumem  seus   lugares.   Tornam-se   duas   pessoas.
Suas mentes não se fundiram em uma só e suas emoções misturaram-
se superficialmente no oceano do amor.  Agora,  então,  as ondas da
realidade começam a separá-los. Eles saem do domínio da paixão e
nesse ponto muitos desistem e separam-se, divorciam-se e partem em
busca de uma nova paixão; ou então desenvolvem o árduo trabalho
de aprenderem a amar-se mutuamente sem a euforia da paixão.
A experiência da paixão não possui
enfoque em nosso próprio crescimento,
nem no crescimento e desenvolvimento
do cônjuge. Dificilmente também fornece
o senso de realização.
Alguns pesquisadores, entre eles o psiquiatra M. Scott Peck e a
psicóloga   Dorothy   Tennov,   chegaram   à   conclusão   de   que   a
experiência da paixão não deveria, de forma alguma, ser chamada de
amor. Dr. Peck concluiu que o apaixonar-se não é amor verdadeiro,
por três razões:
Primeira,   apaixonar-se   não   é   um  ato   da   vontade   nem  uma
escolha   consciente.  Não   importa   o   quanto   desejemos,   não   con-
seguimos apaixonar-nos voluntariamente. Por outro lado, mesmo que
não busquemos essa experiência, ela pode, simplesmente, acontecer
em nossa vida. Muitas vezes apaixonamo-nos no momento errado e
pela pessoa errada!
Segunda,   apaixonar-se   não   é   amor   verdadeiro   porque   não
implica em nenhuma participação de nossa parte. Qualquer coisa que
façamos   apaixonados,   requererá   pouca   disciplina   e   esforço.   Os
longos e dispendiosos  telefonemas  realizados,  o dinheiro gasto em
viagem para ficarmos juntos, os presentes, e todo trabalho envolvido,
nada   representam.  Da  mesma   forma   que   os   pássaros   constroem
instintivamente   seus   ninhos,   a   natureza   da   pessoa   apaixonada
impulsiona na  realização de atos  inusitados e não naturais,  de um
para com o outro.
Terceira,   a   pessoa   apaixonada   não   está   genuinamente   in-
teressada   em  incentivar  o  crescimento pessoal  daquela   por  quem nutre   sua   paixão.   “Se   temos   algum  propósito   em mente   ao   nos
apaixonarmos,   é   o   de   terminar   nossa   própria   solidão   e,   talvez,
assegurar   essa   solução   através   do   casamento”.
1
  A  paixão   não   se
focaliza em nosso crescimento pessoal e nem tampouco no da outra
pessoa amada.  Pelo contrário,  a sensação é a de que  já se chegou
onde   se   deveria   alcançar   e   não   é   necessário   crescer   mais.
Encontramo-nos   no   ápice   da   felicidade   e   nosso   único   desejo   é
continuar   lá.  E  nosso   (a)   amado   (a),   naturalmente,   também  não
precisa mais crescer, pois já é perfeito (a). Esperamos somente que
ele (ela) mantenha essa perfeição.
Se apaixonar-se não é amor, então o que é? Dr. Peck afirma: “E
um   componente   instintivo   e   geneticamente   determinado   do
comportamento de  acasalamento.  Em outras  palavras,  um colapso
temporário das reservas do ego que constituem o apaixonar-se; é uma
reação   estereotipada   do   ser   humano   a   uma   configuração   de
tendências sexuais internas e estimulações sexuais externas, as quais
designam-se ao crescimento da probabilidade da união e elo sexual,
tendo em vista a perpetuação da espécie”.
Quer concordemos ou não com essa conclusão, os que  dentre
nós   se   apaixonaram  e   também  saíram  desse   estado   de   paixão,
concluirão   que   essa   experiência   arremessa-nos   a   uma   órbita
emocional   diferente   de   qualquer   outra   que   porventura
experimentamos. A tendência é o rompimento com a nossa razão, o
que nos leva a fazer e a dizer coisas que nunca faríamos, ou diríamos
em momentos de maior  sobriedade.  De  fato,  quando saímos desse
estado de paixão, questionamos como pudemos ter feito tais coisas.
Quando a onda da emoção passa e voltamos ao mundo real, onde as
diferenças são notórias, quantos de nós fizeram para si a pergunta:
“Por que me casei? Não combinamos em nada!” No entanto,
quando   estávamos   no   auge   da   paixão,   pensávamos   que   com-
binávamos em tudo — pelo menos, em tudo que era importante.
Isso significa que, por termos sido “fisgados” dentro da ilusão
da paixão, encontramo-nos agora frente a duas opções: 1 — estamos
destinados   a   uma   vida  miserável   com  nosso   cônjuge,   ou   2  —
devemos nos separar e tentar novamente? Nossa geração tem optado
pela última decisão,  ao passo que a anterior  escolheu a primeira.
Antes   de   concluirmos   automaticamente   o   fato   de   que   fizemos   a melhor escolha, devemos examinar os dados. Atualmente, 40% dos
primeiros casamentos,  nos Estados Unidos,   terminam em divórcio;
60% dos segundos e  75% dos terceiros, também. Pelo que se pode
ver, a perspectiva de um segundo e terceiro casamentos felizes, não é
muito atingida.
As   pesquisas   realizadas   parecem   indicar   que   existe   uma
terceira e melhor alternativa: reconhecer que a paixão é o que é —
um  pico   emocional   temporário  —  e   então   desenvolver   o   amor
verdadeiro com nosso cônjuge. Esse tipo de sentimento é de natureza
emocional,  mas não obsessivo.  É o amor que une razão e emoção.
Envolve um ato da vontade e  requer  disciplina,  pois   reconhece a
necessidade   de   um   crescimento   pessoal.   Nossa   necessidade
emocional básica não é apaixonar-se, mas ser genuinamente amado
(a) pelo outro; é conhecer o amor que cresce com base na razão e na
escolha   e   não   no   instinto.   Preciso   ser   amado   por   alguém  que
escolheu me amar, que vê em mim algo digno de ser amado.
Esse tipo de amor requer esforço e disciplina. É a escolha que
fazemos   de   gastar   nossa   energia   em  benefício   da   outra   pessoa,
sabendo que,  se sua vida é enriquecida por nosso esforço,   também
nos sentimos satisfeitos — a satisfação de termos realmente amado
alguém. Não exige a euforia na experiência da paixão. Para falar a
verdade,  o amor verdadeiro não começa enquanto a experiência da
paixão não tiver seguido seu curso.
Amor racional, volitivo,
é o tipo de amor para o qual
os sábios nos conclamam.
Não   se   deve   levar   em   consideração   os   atos   de   bondade
praticados por  alguém que se encontre sob a  influência da paixão
obsessiva. Uma força instintiva impulsiona e suscita ações que vão
além do comportamento normal. Porém, um retorno ao mundo real
onde se inclui a escolha humana, permite optarmos por sermos gentis
e generosos, o que é o amor verdadeiro.
A necessidade emocional de amor deve ser suprida se formos
emocionalmente   saudáveis.   Adultos   casados   desejam   sentir-se
amados   por   seus   cônjuges.   Sentimo-nos   seguros   quando   nossos
companheiros aceitam-nos, desejam-nos e estão comprometidos com nosso bem-estar.  Durante o estágio da paixão sentimos  todas essas
emoções.  É  fantástico enquanto dura.  Nosso erro é achar  que ela
nunca acabará.
Essa   obsessão,   no   entanto,   não   dura   para   sempre.   Se
equipararmos   o   casamento   a   um  livro,   poderemos   compará-lo   à
introdução  do mesmo.  O  âmago desta  obra   é   o  amor   racional   e
volitivo. Esse é o tipo para o qual os sábios sempre nos conclamam.
E um amor intencional.
Essa  é   uma   boa   notícia   aos   casais   que   perderam   seus
sentimentos de paixão. Se o amor é uma opção, então eles possuem a
capacidade de amar  após a experiência da paixão haver  passado e
regressarem ao mundo  real.  Esse  tipo de amor   inicia-se com uma
atitude — o modo de pensar. Amor é a atitude que diz: “Sou casado
(a) com você e escolho  lutar pelos seus  interesses!” Então,  os que
optam  por   amar   encontrarão   formas   apropriadas   para   demonstrar
essa decisão.
Alguém pode comentar:  “Isso parece tão estéril! Amor como
uma atitude e com um comportamento apropriado? Onde estão as
estrelas cadentes e as  fortes emoções? Onde  ficam a ansiedade do
encontro, a piscada de olho, a eletricidade do beijo e o entusiasmo do
sexo? E a segurança emocional de se saber que ocupamos o primeiro
lugar na mente da outra pessoa?”
Este livro é exatamente sobre isso. Como suprir as profundas
necessidades de amor de uma pessoa? Se aprendermos e optarmos
por  isso,  então o amor que compartilharmos  tornar-se-á melhor do
que qualquer  coisa que possamos  sentir  enquanto dominados pela
paixão.
Durante vários anos tenho compartilhado o conceito das cinco
linguagens   do   amor   em   meus   seminários   e   nas   sessões   de
aconselhamento. Milhares de casais atestarão a validade do que você
descobrirá   através   desta   leitura.  Meus   arquivos   estão   lotados   de
cartas   de   pessoas   com  quem  nunca  me   encontrei,   dizendo:   “Um
amigo meu me emprestou uma de suas fitas sobre ás linguagens do
amor   e   sua  mensagem  revolucionou  meu   casamento.   Tínhamos
tentado   há   anos   amar-nos,   mas   não   conseguíamos.   Agora   que
falamos   as   linguagens   adequadas  do  amor,  o clima  emocional  de nosso casamento tem melhorado muito!”
Quando o “tanque do amor” emocional  de  seu cônjuge está
cheio e ele se sente seguro de seu amor, o mundo todo fica mais claro
e ele caminha para atingir o mais alto potencial de sua vida. Porém,
quando  este  “reservatório”  está vazio e   ele   se   sente  usado  e não
amado, o mundo todo parecerá escuro e não conseguirá utilizar seu
potencial de vida. Nos próximos cinco capítulos explicarei as cinco
primeiras linguagens emocionais do amor e então, no de número 9,
ilustrarei como descobri-las, pois podem tornar seu esforço de amar
mais produtivo.
Notas:
1.  M. Scott Peck, The Road Less Travelled (A Estrada Menos
Percorrida) (New York: Simon & Schuster, 1978), pp. 89,90.
2. Ibid., p. 90
4.  A Primeira Linguagem do Amor:  Palavras de 4.  A Primeira Linguagem do Amor:  Palavras de 
Afirmação Afirmação
Mark Twain disse certa vez: “Um bom elogio pode me manter
vivo durante dois meses”. Se tomarmos suas palavras ao pé da letra,
seis   elogios   por   ano  manteriam  seu   “tanque   do   amor”   em  nível
operacional. Sua esposa, porém, provavelmente precisará de mais do
que isso.
Uma   forma   de   se   expressar   o   amor   emocional  é   utilizar
palavras   que   edificam.   Salomão,   um   dos   escritores   da   Bíblia,
escreveu: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a
utiliza   come   do   seu   fruto”.
1
  Muitos   casais   nunca   aprenderam  o
tremendo poder de uma afirmação verbal mútua. Mais tarde, este rei
acrescentou: “A ansiedade no coração do homem o abate, mas a boa
palavra o alegra”.
2
Elogios   verbais   e   palavras   de   apreciação   são   poderosos
comunicadores do amor. São os melhores comunicados em forma de
expressão direta e simples, como:“Você ficou  tão elegante com esse  terno!” “Você está muito
bem  com  esse   vestido!”   “Ninguém  faz   essas   batatas  melhor  que
você!”
“Querido, muito obrigada por ter lavado a louça para mim esta
noite!”
“Muito   obrigada   por   pagar  mais   um  dia   da   faxineira   esta
semana. Quero que saiba que estou realmente grata!”
“Muito obrigado por ter feito um jantar tão gostoso!”
O que deverá acontecer ao clima emocional do casamento se o
marido   e   a   mulher   ouvirem   essas   palavras   de   afirmação
regularmente?
Anos  atrás  eu estava em meu escritório com a  porta aberta
quando uma senhora apareceu de repente e perguntou:
— O senhor tem um minuto?
— Sim, claro — respondi. Ela se sentou e disse:
— Dr. Chapman, estou com um problema. Não consigo fazer
com que meu marido pinte o nosso quarto. Já faz nove meses que lhe
peço diariamente, mas não tem adiantado. Já tentei tudo o que podia,
mas não há jeito.
Meu  primeiro   pensamento   foi:   “Minha   senhora,   parece   que
você bateu na porta errada.  Não  temos pintores aqui”.  No entanto,
virei-me para ela e disse:
— Fale-me sobre isso. E ela começou a contar:
— Bem,  sábado passado  foi  um grande exemplo.  Lembra-se
como o dia estava lindo? Sabe o que meu marido fez o dia inteiro?
Lavou e encerou o carro.
— E o que a senhora fez?
— Fui à garagem e disse:
— Bob, não consigo entendê-lo. O dia hoje está perfeito para pintar o quarto e você está aqui lavando e encerando o carro!
— E seu comentário deu certo? Ele foi pintar o quarto?
— Não. O quarto encontra-se do jeito que estava, sem pintura.
Não sei mais o que fazer!
— Deixe-me fazer-lhe uma pergunta: A senhora é contra carros
limpos e encerados?
— Não, mas quero que meu quarto seja pintado!
— A senhora tem certeza de que seu marido sabe que a senhora
gostaria que ele pintasse o quarto?
— Estou plenamente convicta. Tenho pedido isso a ele durante
nove meses.
— Deixe-me   fazer-lhe  mais  uma   pergunta:  Seu  marido   faz
alguma coisa bem feita?
— Como o quê?
— Coisas como recolher o lixo, limpar os vidros de seu carro,
colocar combustível no automóvel, pagar a conta de luz, ajudá-la a
vestir um casaco, etc.
— Sim, ele faz muito bem algumas dessas coisas.
—   Então,   tenho   duas   sugestões.   Primeira,   nunca   mais
mencione a pintura do quarto. Esqueça e jamais fale com ele sobre
isso.
Ela olhou para mim e disse:
— Não vejo em que isso pode ajudar!
O objetivo do amor não é
você conseguir algo que deseje, mas fazer
alguma coisa pelo bem-estar daquele a
quem ama. No entanto, é fato que,
quando recebemos elogios, dispomo-nos.

  Escute, você acabou de dizer que ele já sabe qual é o seu
desejo: gostaria que ele pintasse o quarto. Não é mais preciso dizer-
lhe isso. Ele já sabe. A segunda sugestão é a seguinte: na próxima
vez que seu marido fizer alguma coisa bem feita, expresse isso a ele
verbalmente, elogiando-o. Se ele levar o lixo para fora, diga-lhe algo
como “Bob, quero que você saiba que sou muito grata por ter levado
o lixo para fora”.
— Não diga jamais:
“Se demorasse mais para levar esse lixo para fora, as moscas
fariam isso por você!”
— Quando ele pegar as contas para pagar, diga algo como:
“Obrigada por pagar nossas contas; há maridos que não fazem
isso e quero que saiba que sou realmente muita grata!”
— Todas as vezes que ele fizer algo de bom, elogie-o.
— Não vejo como isso pode fazer com que ele pinte o quarto!
— A senhora pediu meu conselho, eu o dei. Faça como achar
melhor!
Ela não estava muito satisfeita comigo quando foi embora. Três
semanas mais tarde ela voltou a meu escritório e disse:
— Deu certo!
Ela   aprendeu   que   as   palavras   elogiosas   são   realmente
motivadoras.
Não sugiro que use de bajulação para conseguir o que deseja de
seu cônjuge. O objetivo do amor não é obter o que se quer, mas fazer
algo pelo bem-estar daquele a quem se ama. É verdade, porém, que
ao  recebermos palavras elogiosas,  de afirmação,   tornamo-nos mais
motivados a sermos recíprocos e a fazermos algo que nosso cônjuge
deseje.

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