Cul t ivando o Amor que Agradece
2. Cul t ivando o Amor que Agradece 2. Cul t ivando o Amor que Agradece
Amor é o vocábulo mais importante em qualquer idioma — e
também o que mais gera confusão! Pensadores, tanto seculares
quanto religiosos, concordam que este sentimento ocupa um papel
central em nossa vida. Diz-se que “o amor é uma coisa esplendorosa”
e “o amor faz o mundo girar”. Milhares de livros, músicas, revistas e
filmes existem pela inspiração dessa palavra. Inúmeros sistemas
filosóficos e teológicos estabeleceram um lugar de destaque para esse
sentimento. E o fundador da fé cristã coloca o amor como a ca-
racterística que deve distinguir seus seguidores.
1
Psicólogos concluíram que sentir-se amado é a principal
necessidade do ser humano. Por amor, subimos montanhas,
atravessamos mares, cruzamos desertos e enfrentamos todo tipo de
adversidade. Sem amor, montanhas tornam-se insuperáveis, mares
intransponíveis, desertos insuportáveis e dificuldades avolumam-se
pela vida afora. O apóstolo dos gentios, Paulo, exaltou o amor ao
afirmar que qualquer ato humano não motivado por esse sentimento
é em si vazio e sem significado. Concluiu que na última cena do
drama humano, somente três características permanecerão: “fé,
esperança e amor. Porém, a maior delas, é o amor”.
2
Se concordarmos que a palavra amor permeia a sociedade
humana, tanto no passado, como no presente, devemos admitir que
também é uma das mais confusas. Nós a utilizamos em milhares de
formas. Dizemos: “Eu amo cachorro quente!” e, numa outra frase:
“Eu amo minha mãe!” Nós a usamos para descrever atividades que
apreciamos: nadar, patinar e caçar. Amamos objetos: comida, carros
e casas. Amamos animais: cachorros, gatos e até tartarugas. Amamos
a natureza: árvores, grama, flores e estações. Amamos pessoas: mãe,
pai, filhos, esposas, maridos e amigos. Chegamos até a nos apaixonar
pelo próprio amor.
Como se isso tudo não fosse suficientemente confuso, também
usamos a palavra amor para explicar determinados comportamentos:
“Agi dessa forma porque a amo”. Essa explicação muitas vezes é dada como desculpa. Um homem que se envolve em adultério chama
esse relacionamento de amor. O pastor, por sua vez, chama-o de
pecado. A esposa de um alcoólatra recolhe os “pedaços” após o
último “episódio” de seu marido. Ela chama essa atitude de amor; os
psiquiatras, porém, tratam-na como co-dependente. Um pai que
atende a todos os desejos de seu filho também chama essa atitude de
amor. Um terapeuta familiar chamaria de paternidade irresponsável.
O que é um comportamento amoroso?
O propósito deste livro não é o de desfazer a confusão que gira
em torno deste sublime sentimento, mas focalizar aquele tipo de
amor que é essencial a nossa saúde emocional. Psicólogos infantis
afirmam que toda criança possui necessidades emocionais básicas
que devem ser supridas para que se possa atingir uma estabilidade
emocional. Entre elas, nenhuma é tão essencial quanto o amor, a
afeição e a necessidade de alguém sentir que pertence a outro e é
querido. Com um suprimento adequado de afeição, uma criança
tornar-se-á um adulto responsável. Sem esse amor essencial, ele ou
ela ficará emocional e socialmente atrofiado.
Logo que ouvi a metáfora que cito a seguir, gostei muito dela:
“Dentro de cada criança há um ‘tanque emocional’ esperando para
ser cheio com o amor. Se ela se sentir amada, desenvolver-se-á
normalmente; porém, se seu “tanque de amor” estiver vazio, ela
apresentará muitas dificuldades. Diversos dos problemas de
comportamento de uma criança provêm do fato de seu ‘tanque de
amor’ estar vazio”. Essa metáfora foi dada pelo Dr. Ross Campbell,
um psiquiatra que se especializou no tratamento de crianças e
adolescentes.
Enquanto eu o ouvia falar, pensei nas centenas de pais que, em
meu escritório, desfilavam as inúmeras reclamações sobre seus
filhos. Até então, eu nunca pensara em uma criança daquelas como
um “tanque de amor” vazio, mas sem dúvida via os resultados dessa
situação. Os problemas de comportamento apresentados eram uma
forma de procurar o amor que não recebiam. Eles buscavam o amor
nos lugares e nas formas erradas.
Lembrei-me de Ashley que aos treze anos de idade cuidava de
uma doença sexualmente transmissível. Seus pais estavam chocados.
Ficaram “uma fera” com a filha e também muito bravos com a escola, a qual culpavam por ensinarem sobre sexo. “Por que é que ela
teve de fazer o que fez?”, perguntavam.
No âmago da existência do ser
humano encontra-se o desejo
de intimidade e de ser amado.
O casamento foi idealizado
para suprir essas necessidades.
Em minha conversa com Ashley, ela me falou do divórcio de
seus pais quando tinha apenas seis anos de idade.
“Eu pensei que meu pai tinha ido embora porque não gostava
de mim! Quando minha mãe casou-se novamente eu estava com dez
anos de idade. Então pensei que ela já tinha quem a amasse, e eu não
possuía ninguém. Eu desejava tanto ser amada por alguém! E então
conheci esse garoto lá na escola. Ele era bem mais velho, mas
gostava de mim! Eu não conseguia acreditar! Ele era muito gentil
comigo e, por um tempo, acreditei que ele realmente gostava de
mim. Eu não queria fazer sexo, mas desejava desesperadamente ser
amada!”
O “tanque de amor” de Ashley ficou vazio durante muitos
anos. Sua mãe e seu padrasto providenciavam tudo que ela
necessitava em termos materiais, mas não perceberam a enorme
carência emocional que havia dentro dela. Eles certamente a amavam
e achavam que ela se sentia amada por eles. Já era quase tarde
demais quando descobriram que não falavam a primeira linguagem
do amor de Ashley.
A necessidade de alguém ser amado emocionalmente, no
entanto, não é uma característica unicamente infantil. Ela nos segue
pela vida adulta; inclusive no casamento. Quando nos apaixonamos,
temporariamente essa necessidade é suprida, mas ela se torna um
“quebra-galho” e, como acabamos descobrindo mais tarde, com
duração limitada e até prevista. Após despencarmos dos píncaros da
paixão, a necessidade emocional de ser amado ressurge porque é
inerente à nossa natureza. Está no centro de nossos desejos
emocionais. Precisamos do amor antes de nos apaixonar e
continuaremos a necessitar dele enquanto vivermos.A necessidade de sermos amados por nosso cônjuge está na
essência dos anseios conjugais. Recentemente certo cidadão me
disse:
“De que adianta ter mansão, carros, casa na praia e tudo o
mais, se sua esposa não o ama?!”
Dá para entender o que ele realmente desejava dizer? Era:
“Mais do que tudo, eu desejo ser amado por minha esposa!”
As coisas materiais não podem substituir o amor humano e
emocional. Uma esposa disse, certa vez:
“Ele me ignora o dia inteirinho, mas à noite quer fazer sexo
comigo. Eu odeio isso!”
Ela não odeia sexo, mas precisa desesperadamente do amor
emocional.
Alguma coisa em nossa natureza clama por ser amado ou
amada. O isolamento é devastador para a psique humana. E por esse
motivo que o confinamento é considerado a mais cruel das punições.
No âmago da nossa existência há o íntimo desejo de sermos amados.
O casamento foi idealizado para atingir essa necessidade de
intimidade e de amor. Por esse motivo os antigos registros bíblicos
dizem que o homem e a mulher tornam-se uma só carne. Isso não
significa que as pessoas perderão suas identidades; quer dizer que
ambos entrarão nas vidas um do outro, de forma íntima e profunda.
O Novo Testamento desafia os maridos e as esposas a amarem-se
mutuamente. De Platão a Peck os escritores têm enfatizado a
importância do amor no casamento.
No entanto, esse amor que é tão importante, também é
“escorregadio”. Tenho ouvido a confissão de muitos casais contando
suas queixas secretas. Alguns chegam a mim porque a dor interior
tornou-se praticamente insuportável. Outros, porque percebem que o
comportamento que assumem perante as falhas do cônjuge poderá
levar o casamento à destruição. Há também os que simplesmente
vêm para falar que não querem mais continuar casados. Seus sonhos
de “viverem felizes para sempre” espatifaram-se contra o duro muro
da realidade. Repetidas vezes ouço as palavras:“Nosso amor terminou. O relacionamento morreu. Sentíamo-
nos próximos um do outro, mas agora isso não existe mais. Não
apreciamos mais ficar juntos. Não nos completamos mais um ao
outro.”
Essas histórias testificam que tanto os adultos como as crianças
possuem “tanques de amor”.
Será que lá no interior de cada um desses casais machucados
existe um indicador invisível de um “tanque” vazio? Será que esses
comportamentos inadequados, separações, palavras duras e espírito
crítico acontecem devido a esse “tanque” vazio? Se pudermos achar
uma forma de enchê-lo, será que o casamento renasceria? O “tanque”
cheio possibilitaria que os casais criassem um clima emocional onde
seria possível discutir as diferenças e resolver os conflitos? Será que
esse “tanque” é a chave para que um casamento perdure?
Essas perguntas levaram-me a uma longa viagem. Em plena
estrada descobri os simples, porém poderosos pontos de vista
registrados neste livro. Essa caminhada levou-me não somente
através de mais de vinte anos de aconselhamento conjugai, mas
também às mentes e corações de centenas de casais através da
América do Norte. De Seattle a Miami, fui convidado a adentrar no
recôndito do casamento de vários casais e conversamos francamente.
As histórias apresentadas neste livro foram retiradas da vida real.
Nomes e lugares foram trocados para proteger a privacidade das
pessoas que falaram com toda a liberdade.
Estou convencido de que manter cheio o “tanque de amor” do
casamento é tão importante quanto manter o nível do óleo em um
automóvel. Levar um casamento com o “tanque de amor” vazio pode
ser até mais difícil do que tentar dirigir um carro sem combustível. O
que você descobrirá nesta obra tem o potencial para salvar milhares
de casamentos, podendo também melhorar o clima emocional de um
matrimônio que já esteja indo bem. Qualquer que seja a qualidade de
seu casamento, sempre pode melhorar.
ADVERTÊNCIA: Compreender os cinco idiomas do amor e
aprender a falar a primeira linguagem do amor de seu cônjuge pode
alterar completamente o comportamento dele. As pessoas
relacionam-se de forma diferente quando seu “tanque de amor” está cheio.
Antes de examinarmos as cinco linguagens do amor,
precisamos abordar um outro importante, porém confuso fenômeno:
A eufórica experiência de apaixonar-se.
Notas
1. João 13.35
2. 1 Coríntios 13.13
Apaixonando-se 3. Apaixonando-se
Ela entrou em meu escritório sem hora marcada e perguntou à
minha secretária se poderia falar comigo durante cinco minutos. Eu
conhecia Janice há muito tempo. Ela estava com 36 anos e nunca se
casara. Havia namorado vários rapazes no passar dos anos: um deles
durante seis anos, outro durante três e diversos por curtos períodos de
tempo. De vez em quando ela marcava uma consulta comigo para
conversar sobre alguma dificuldade específica que estivesse atra-
vessando em algum de seus relacionamentos. Ela era, por natureza,
uma pessoa disciplinada, consciente, organizada, reflexiva e
cuidadosa. Era completamente fora de suas características aparecer
em meu escritório sem ter hora marcada. Eu pensei: “Só alguma crise
terrível faria Janice vir aqui sem marcar hora!” Então, eu disse à
minha secretária que a deixasse entrar. Eu realmente esperava vê-la
debulhada em lágrimas, contando-me alguma trágica experiência
logo ao abrir a porta. No entanto, ela literalmente pulou para dentro
da sala, gritando animadamente. Perguntei-lhe:
— Como vai, Janice?
— Ótima! Nunca estive melhor em toda minha vida! Vou me
casar!
— É mesmo? (Eu disse demonstrando minha surpresa!)
— Com quem? Quando?— Com David Gallespie, em setembro.
— Isso é maravilhoso! Há quanto tempo vocês estão
namorando?
— Três semanas Sei que é loucura, Dr. Chapman, depois de ter
namorado tantos outros e de tantas vezes ter chegado perto do
casamento. Eu mesma não consigo acreditar, mas sei que o David é o
rapaz certo para mim! Pela primeira vez, nós dois descobrimos isso
juntos. É claro que não falamos sobre esse assunto na primeira vez
que saímos, mas uma semana depois ele me pediu em casamento. Eu
sabia que ele me pediria e eu aceitaria. Nunca me senti assim antes,
Dr. Chapman. O senhor conhece os relacionamentos que tive nesses
anos todos e as lutas que enfrentei. Em cada um deles, alguma coisa
não dava certo. Nunca tive a certeza de que deveria me casar com
algum deles, mas agora sei que David é a pessoa preparada por Deus!
Nesse momento Janice balançava-se para frente e para trás em
sua cadeira, rindo e dizendo:
— Sei que parece loucura, mas estou tão feliz! Nunca estive
tão feliz em toda minha vida.
O que acontecia com Janice? Ela estava apaixonada. Em sua
mente, David era o homem mais maravilhoso que ela já conhecera.
Ele era perfeito em todas as formas e também se tornaria o marido
ideal. Ela pensava nele dia e noite. O fato de David já ter sido casado
duas vezes, possuir três filhos e ter passado, somente no ano anterior,
por três empregos diferentes, não lhe importava. Ela estava feliz e
convencida de que seria feliz para sempre ao lado dele. Ela estava
apaixonada.
A maioria de nós entra para o casamento pela porta do amor.
Ocorre de conhecermos alguém que possui características físicas e
marcas em sua personalidade que disparam nosso sistema de alerta.
Os sinos tocam, e iniciamos o processo da descoberta de quem é
aquela pessoa. No primeiro encontro pode ser servido um
hambúrguer ou um belo churrasco, dependendo do nosso orçamento,
mas nosso real interesse não é a comida. Entramos em uma
empreitada para conhecer o amor. “Será que esse sentimento ardente,
borbulhante dentro de mim pode ser algo real?”Algumas vezes essas borbulhas desaparecem logo no primeiro
encontro, ao descobrirmos que ela, ou ele, funga. Dessa forma, as
borbulhas escorregam por nossos dedos e não queremos mais comer
hambúrguer com aquela pessoa. Outras vezes, porém, as borbulhas
aumentam mais ainda, após aquele lanche. Arrumamos vários outros
encontros e, pouco tempo depois, o nível de intensidade chega a
ponto de afirmarmos: “Acho que estou apaixonada (o)!” Pensando
que o sentimento é algo real, contamos à outra pessoa esperando que
isso seja recíproco. Se não é, as coisas dão uma esfriada, ou então
redobramos nossos esforços para impressionar e acabamos,
eventualmente, conquistando o amor de nosso (a) amado (a). Quando
há reciprocidade começamos a falar sobre casamento, porque todos
concordam que estar apaixonado é um alicerce necessário para se
manter um bom casamento.
Nossos sonhos, antes de
nos casarmos, são de êxtase
conjugai... É difícil pensar-se
qualquer outra coisa, quando
estamos apaixonados.
Nesse patamar, estar apaixonado (a) é uma experiência
eufórica. Um fica emocionalmente obcecado pelo outro. Dorme-se
pensando nele (nela). Levanta-se e aquela pessoa é a primeira coisa
que nos vem à mente. Ansiamos por estar juntos. Gastar tempo um
com o outro é como estar na antecâmara do céu. Quando andamos de
mãos dadas, é como se nossos corações batessem no mesmo
compasso. Beijaríamos um ao outro para sempre, se não tivéssemos
de ir à escola ou ao trabalho. O abraçar estimula sonhos de
casamento e êxtase. O rapaz apaixonado tem a ilusão de que sua
amada é perfeita. A mãe pode ver falhas, mas ele, não. A mãe diz:
— Querido, você já considerou o fato de que ela esteve em
tratamento psiquiátrico durante cinco anos?
Ele, porém, replica:
— Oh, mãe, dá um tempo! Já faz três meses que ela está de
alta.Seus amigos também vêem algumas falhas, mas não se atrevem
a dizer nada, a menos que ele peça, e as chances disso acontecer são
inexistentes porque, em sua cabeça, ela é perfeita e o que os outros
pensam, não lhe importa.
Nossos sonhos, antes de nos casarmos, são de êxtase conjugai:
— Vamos fazer um ao outro superfelizes. Outros casais podem
discutir e brigar, mas isso não acontecerá conosco! Nós nos amamos.
Naturalmente, não ficamos de todo enganados. Sabemos, ao
utilizar o racional, que teremos algumas diferenças. Porém, temos
certeza de que conversaremos abertamente sobre elas, um de nós
cederá e assim chegaremos a um denominador comum. É muito
difícil pensar algo diferente quando se vive um clima de paixão.
Somos levados a acreditar que, se realmente estivermos
apaixonados, esse amor durará para sempre. Os maravilhosos
sentimentos dos quais partilhamos no momento nos acompanharão
até o fim de nossas vidas. Nada se interporá entre nós. Estamos
enamorados e aprisionados pela beleza e charme da personalidade
um do outro. Nosso amor é a melhor coisa da qual já desfrutamos.
Notamos que alguns casais chegaram a perder esse sentimento, mas
isso nunca acontecerá conosco. Fazemos, portanto, a seguinte
colocação:
“É possível que eles nunca tenham sentido um amor verdadeiro
como o nosso!”
Infelizmente, a eternidade da paixão é uma ficção e não um
fato. A psicóloga Dorothy Tennov desenvolveu longos estudos sobre
este fenômeno. Após estudar os comportamentos entre os casais, ela
concluiu que o tempo médio de extensão da obsessão romântica é de
dois anos. Se a paixão foi um fruto proibido, talvez dure um pouco
mais. Eventualmente, todos nós descemos das nuvens e pisamos com
nossos pés em terra novamente. Nossos olhos abrem-se e passamos a
enxergar as “verrugas” da outra pessoa. Descobrimos que alguns de
seus traços de personalidade são realmente irritantes. Seus padrões
de comportamento aborrecem-nos. Possuem também capacidade para
machucar e irar-se, e utilizam também palavras duras e julgamentos
críticos. Esses traços que não percebemos quando estávamos apaixonados tornam-se agora enormes montanhas. Então nos
recordamos das palavras ditas por nossa mãe e perguntamos a nós
mesmos: “Como pude ser tão tolo?”
Bem-vindos ao mundo real do casamento, onde fios de cabelo
sempre estarão na pia e respingos brancos da pasta de dente estarão
no espelho; discussões ocorrem por causa do lado de se colocar o
papel higiênico: se a folha deve ser puxada por baixo ou por cima. E
um mundo onde os sapatos não andam até o guarda-roupa e as
gavetas não fecham sozinhas; os casacos não gostam de cabides e pés
de meia somem quando vão para a máquina de lavar. Nesse mundo,
um olhar pode machucar, uma palavra pode quebrar. Amantes podem
tornar-se inimigos e o casamento um campo de batalha sem trégua.
O que aconteceu com a paixão? Que coisa! Foi uma ilusão que
nos enganou e levou-nos a assinar nossos nomes na linha
pontilhada... na alegria e na tristeza. Não é de se admirar que tantos
amaldiçoem o casamento e o ex-cônjuge, a quem um dia amaram.
Além disso, se fomos enganados, temos o direito de ficar bravos.
Será que foi realmente amor? Acho que sim. O problema é que
houve falta de informação.
A principal falha na informação é o falso conceito de que a
paixão dura para sempre. Deveríamos saber disso. Uma simples
observação é o bastante para concluirmos que, se as pessoas
permanecessem obcecadas pela paixão, estaríamos em grandes
apuros. As ondas da paixão iriam de encontro aos negócios, à
indústria, à igreja, à educação e ao restante da sociedade. Por quê?
Porque pessoas apaixonadas perdem o interesse nas outras coisas.
Por esse motivo também chamamos a paixão de obsessão. O
estudante colegial que entra em uma “paixão avassaladora”, vê suas
notas despencarem. É difícil concentrar-se nos estudos quando se
está apaixonado. Amanhã vai cair na prova a Segunda Guerra
Mundial. Mas, quem se importa com essa guerra? Quando se está
apaixonado (a), tudo o mais parece irrelevante. Um certo senhor me
disse:
— Dr. Chapman, meu trabalho é estafante! Eu, então, lhe
perguntei:
— O que você quer dizer com isso?— Eu conheci uma garota, apaixonei-me por ela e desde então
não consigo fazer mais nada! Não consigo concentrar-me no serviço.
Fico o dia inteiro sonhando com ela!
A euforia do estado de paixão concede-nos a ilusão de que
estamos em um relacionamento bem íntimo. Sentimos como se nos
pertencêssemos um ao outro. Passamos a pensar que somos capazes
de enfrentar qualquer problema que surja. Sentimo-nos altruístas em
relação um ao outro. Um jovem disse a respeito de sua noiva:
“Não consigo nem pensar em fazer algo que a magoe. Meu
único desejo é vê-la feliz!”
Essa obsessão dá-nos o falso sentimento de que nossas atitudes
egocêntricas foram erradicadas e tornamo-nos um tipo de “Madre
Teresa de Calcutá”, de tão desejosos que ficamos de fazer qualquer
coisa para o bem de nosso (a) amado (a). A razão pela qual nos
sentimos tão à vontade para fazer tais coisas, deve-se ao fato de
sinceramente acreditarmos que a pessoa por quem estamos
apaixonados sente o mesmo por nós. Cremos que ela também está
comprometida em suprir nossas necessidades, e ama-nos tanto
quanto a amamos e também nada fará para nos magoar.
Esse modo de pensar é realmente uma utopia. Não é que
sejamos hipócritas quanto ao que pensamos e sentimos, mas estamos
dominados por expectativas irreais. Cometemos um erro de avaliação
da natureza humana. Normalmente somos egoístas. Nosso mundo
resume-se em nós mesmos. Ninguém é inteiramente altruísta. A
euforia da paixão é que estabelece essa ilusão.
Uma vez que a experiência da paixão siga seu rumo normal (é
bom lembrar que, em média, a paixão dura por volta de uns dois
anos), retornamos ao mundo real e começamos a nos impor. Ele
expressa seus desejos, mas são diferentes dos dela. Ele deseja sexo,
mas ela está muito cansada! Ele quer comprar um carro novo, mas
ela diz que essa idéia é um absurdo. Ela quer visitar os pais, mas ele
diz que não quer gastar tanto tempo com a família dela. Ele quer
jogar futebol, mas ela diz:
— Você gosta mais de futebol do que de mim!!
Gradativamente a ilusão da intimidade dilui-se e os desejos individuais, as emoções, os pensamentos e os padrões de
comportamento assumem seus lugares. Tornam-se duas pessoas.
Suas mentes não se fundiram em uma só e suas emoções misturaram-
se superficialmente no oceano do amor. Agora, então, as ondas da
realidade começam a separá-los. Eles saem do domínio da paixão e
nesse ponto muitos desistem e separam-se, divorciam-se e partem em
busca de uma nova paixão; ou então desenvolvem o árduo trabalho
de aprenderem a amar-se mutuamente sem a euforia da paixão.
A experiência da paixão não possui
enfoque em nosso próprio crescimento,
nem no crescimento e desenvolvimento
do cônjuge. Dificilmente também fornece
o senso de realização.
Alguns pesquisadores, entre eles o psiquiatra M. Scott Peck e a
psicóloga Dorothy Tennov, chegaram à conclusão de que a
experiência da paixão não deveria, de forma alguma, ser chamada de
amor. Dr. Peck concluiu que o apaixonar-se não é amor verdadeiro,
por três razões:
Primeira, apaixonar-se não é um ato da vontade nem uma
escolha consciente. Não importa o quanto desejemos, não con-
seguimos apaixonar-nos voluntariamente. Por outro lado, mesmo que
não busquemos essa experiência, ela pode, simplesmente, acontecer
em nossa vida. Muitas vezes apaixonamo-nos no momento errado e
pela pessoa errada!
Segunda, apaixonar-se não é amor verdadeiro porque não
implica em nenhuma participação de nossa parte. Qualquer coisa que
façamos apaixonados, requererá pouca disciplina e esforço. Os
longos e dispendiosos telefonemas realizados, o dinheiro gasto em
viagem para ficarmos juntos, os presentes, e todo trabalho envolvido,
nada representam. Da mesma forma que os pássaros constroem
instintivamente seus ninhos, a natureza da pessoa apaixonada
impulsiona na realização de atos inusitados e não naturais, de um
para com o outro.
Terceira, a pessoa apaixonada não está genuinamente in-
teressada em incentivar o crescimento pessoal daquela por quem nutre sua paixão. “Se temos algum propósito em mente ao nos
apaixonarmos, é o de terminar nossa própria solidão e, talvez,
assegurar essa solução através do casamento”.
1
A paixão não se
focaliza em nosso crescimento pessoal e nem tampouco no da outra
pessoa amada. Pelo contrário, a sensação é a de que já se chegou
onde se deveria alcançar e não é necessário crescer mais.
Encontramo-nos no ápice da felicidade e nosso único desejo é
continuar lá. E nosso (a) amado (a), naturalmente, também não
precisa mais crescer, pois já é perfeito (a). Esperamos somente que
ele (ela) mantenha essa perfeição.
Se apaixonar-se não é amor, então o que é? Dr. Peck afirma: “E
um componente instintivo e geneticamente determinado do
comportamento de acasalamento. Em outras palavras, um colapso
temporário das reservas do ego que constituem o apaixonar-se; é uma
reação estereotipada do ser humano a uma configuração de
tendências sexuais internas e estimulações sexuais externas, as quais
designam-se ao crescimento da probabilidade da união e elo sexual,
tendo em vista a perpetuação da espécie”.
Quer concordemos ou não com essa conclusão, os que dentre
nós se apaixonaram e também saíram desse estado de paixão,
concluirão que essa experiência arremessa-nos a uma órbita
emocional diferente de qualquer outra que porventura
experimentamos. A tendência é o rompimento com a nossa razão, o
que nos leva a fazer e a dizer coisas que nunca faríamos, ou diríamos
em momentos de maior sobriedade. De fato, quando saímos desse
estado de paixão, questionamos como pudemos ter feito tais coisas.
Quando a onda da emoção passa e voltamos ao mundo real, onde as
diferenças são notórias, quantos de nós fizeram para si a pergunta:
“Por que me casei? Não combinamos em nada!” No entanto,
quando estávamos no auge da paixão, pensávamos que com-
binávamos em tudo — pelo menos, em tudo que era importante.
Isso significa que, por termos sido “fisgados” dentro da ilusão
da paixão, encontramo-nos agora frente a duas opções: 1 — estamos
destinados a uma vida miserável com nosso cônjuge, ou 2 —
devemos nos separar e tentar novamente? Nossa geração tem optado
pela última decisão, ao passo que a anterior escolheu a primeira.
Antes de concluirmos automaticamente o fato de que fizemos a melhor escolha, devemos examinar os dados. Atualmente, 40% dos
primeiros casamentos, nos Estados Unidos, terminam em divórcio;
60% dos segundos e 75% dos terceiros, também. Pelo que se pode
ver, a perspectiva de um segundo e terceiro casamentos felizes, não é
muito atingida.
As pesquisas realizadas parecem indicar que existe uma
terceira e melhor alternativa: reconhecer que a paixão é o que é —
um pico emocional temporário — e então desenvolver o amor
verdadeiro com nosso cônjuge. Esse tipo de sentimento é de natureza
emocional, mas não obsessivo. É o amor que une razão e emoção.
Envolve um ato da vontade e requer disciplina, pois reconhece a
necessidade de um crescimento pessoal. Nossa necessidade
emocional básica não é apaixonar-se, mas ser genuinamente amado
(a) pelo outro; é conhecer o amor que cresce com base na razão e na
escolha e não no instinto. Preciso ser amado por alguém que
escolheu me amar, que vê em mim algo digno de ser amado.
Esse tipo de amor requer esforço e disciplina. É a escolha que
fazemos de gastar nossa energia em benefício da outra pessoa,
sabendo que, se sua vida é enriquecida por nosso esforço, também
nos sentimos satisfeitos — a satisfação de termos realmente amado
alguém. Não exige a euforia na experiência da paixão. Para falar a
verdade, o amor verdadeiro não começa enquanto a experiência da
paixão não tiver seguido seu curso.
Amor racional, volitivo,
é o tipo de amor para o qual
os sábios nos conclamam.
Não se deve levar em consideração os atos de bondade
praticados por alguém que se encontre sob a influência da paixão
obsessiva. Uma força instintiva impulsiona e suscita ações que vão
além do comportamento normal. Porém, um retorno ao mundo real
onde se inclui a escolha humana, permite optarmos por sermos gentis
e generosos, o que é o amor verdadeiro.
A necessidade emocional de amor deve ser suprida se formos
emocionalmente saudáveis. Adultos casados desejam sentir-se
amados por seus cônjuges. Sentimo-nos seguros quando nossos
companheiros aceitam-nos, desejam-nos e estão comprometidos com nosso bem-estar. Durante o estágio da paixão sentimos todas essas
emoções. É fantástico enquanto dura. Nosso erro é achar que ela
nunca acabará.
Essa obsessão, no entanto, não dura para sempre. Se
equipararmos o casamento a um livro, poderemos compará-lo à
introdução do mesmo. O âmago desta obra é o amor racional e
volitivo. Esse é o tipo para o qual os sábios sempre nos conclamam.
E um amor intencional.
Essa é uma boa notícia aos casais que perderam seus
sentimentos de paixão. Se o amor é uma opção, então eles possuem a
capacidade de amar após a experiência da paixão haver passado e
regressarem ao mundo real. Esse tipo de amor inicia-se com uma
atitude — o modo de pensar. Amor é a atitude que diz: “Sou casado
(a) com você e escolho lutar pelos seus interesses!” Então, os que
optam por amar encontrarão formas apropriadas para demonstrar
essa decisão.
Alguém pode comentar: “Isso parece tão estéril! Amor como
uma atitude e com um comportamento apropriado? Onde estão as
estrelas cadentes e as fortes emoções? Onde ficam a ansiedade do
encontro, a piscada de olho, a eletricidade do beijo e o entusiasmo do
sexo? E a segurança emocional de se saber que ocupamos o primeiro
lugar na mente da outra pessoa?”
Este livro é exatamente sobre isso. Como suprir as profundas
necessidades de amor de uma pessoa? Se aprendermos e optarmos
por isso, então o amor que compartilharmos tornar-se-á melhor do
que qualquer coisa que possamos sentir enquanto dominados pela
paixão.
Durante vários anos tenho compartilhado o conceito das cinco
linguagens do amor em meus seminários e nas sessões de
aconselhamento. Milhares de casais atestarão a validade do que você
descobrirá através desta leitura. Meus arquivos estão lotados de
cartas de pessoas com quem nunca me encontrei, dizendo: “Um
amigo meu me emprestou uma de suas fitas sobre ás linguagens do
amor e sua mensagem revolucionou meu casamento. Tínhamos
tentado há anos amar-nos, mas não conseguíamos. Agora que
falamos as linguagens adequadas do amor, o clima emocional de nosso casamento tem melhorado muito!”
Quando o “tanque do amor” emocional de seu cônjuge está
cheio e ele se sente seguro de seu amor, o mundo todo fica mais claro
e ele caminha para atingir o mais alto potencial de sua vida. Porém,
quando este “reservatório” está vazio e ele se sente usado e não
amado, o mundo todo parecerá escuro e não conseguirá utilizar seu
potencial de vida. Nos próximos cinco capítulos explicarei as cinco
primeiras linguagens emocionais do amor e então, no de número 9,
ilustrarei como descobri-las, pois podem tornar seu esforço de amar
mais produtivo.
Notas:
1. M. Scott Peck, The Road Less Travelled (A Estrada Menos
Percorrida) (New York: Simon & Schuster, 1978), pp. 89,90.
2. Ibid., p. 90
4. A Primeira Linguagem do Amor: Palavras de 4. A Primeira Linguagem do Amor: Palavras de
Afirmação Afirmação
Mark Twain disse certa vez: “Um bom elogio pode me manter
vivo durante dois meses”. Se tomarmos suas palavras ao pé da letra,
seis elogios por ano manteriam seu “tanque do amor” em nível
operacional. Sua esposa, porém, provavelmente precisará de mais do
que isso.
Uma forma de se expressar o amor emocional é utilizar
palavras que edificam. Salomão, um dos escritores da Bíblia,
escreveu: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a
utiliza come do seu fruto”.
1
Muitos casais nunca aprenderam o
tremendo poder de uma afirmação verbal mútua. Mais tarde, este rei
acrescentou: “A ansiedade no coração do homem o abate, mas a boa
palavra o alegra”.
2
Elogios verbais e palavras de apreciação são poderosos
comunicadores do amor. São os melhores comunicados em forma de
expressão direta e simples, como:“Você ficou tão elegante com esse terno!” “Você está muito
bem com esse vestido!” “Ninguém faz essas batatas melhor que
você!”
“Querido, muito obrigada por ter lavado a louça para mim esta
noite!”
“Muito obrigada por pagar mais um dia da faxineira esta
semana. Quero que saiba que estou realmente grata!”
“Muito obrigado por ter feito um jantar tão gostoso!”
O que deverá acontecer ao clima emocional do casamento se o
marido e a mulher ouvirem essas palavras de afirmação
regularmente?
Anos atrás eu estava em meu escritório com a porta aberta
quando uma senhora apareceu de repente e perguntou:
— O senhor tem um minuto?
— Sim, claro — respondi. Ela se sentou e disse:
— Dr. Chapman, estou com um problema. Não consigo fazer
com que meu marido pinte o nosso quarto. Já faz nove meses que lhe
peço diariamente, mas não tem adiantado. Já tentei tudo o que podia,
mas não há jeito.
Meu primeiro pensamento foi: “Minha senhora, parece que
você bateu na porta errada. Não temos pintores aqui”. No entanto,
virei-me para ela e disse:
— Fale-me sobre isso. E ela começou a contar:
— Bem, sábado passado foi um grande exemplo. Lembra-se
como o dia estava lindo? Sabe o que meu marido fez o dia inteiro?
Lavou e encerou o carro.
— E o que a senhora fez?
— Fui à garagem e disse:
— Bob, não consigo entendê-lo. O dia hoje está perfeito para pintar o quarto e você está aqui lavando e encerando o carro!
— E seu comentário deu certo? Ele foi pintar o quarto?
— Não. O quarto encontra-se do jeito que estava, sem pintura.
Não sei mais o que fazer!
— Deixe-me fazer-lhe uma pergunta: A senhora é contra carros
limpos e encerados?
— Não, mas quero que meu quarto seja pintado!
— A senhora tem certeza de que seu marido sabe que a senhora
gostaria que ele pintasse o quarto?
— Estou plenamente convicta. Tenho pedido isso a ele durante
nove meses.
— Deixe-me fazer-lhe mais uma pergunta: Seu marido faz
alguma coisa bem feita?
— Como o quê?
— Coisas como recolher o lixo, limpar os vidros de seu carro,
colocar combustível no automóvel, pagar a conta de luz, ajudá-la a
vestir um casaco, etc.
— Sim, ele faz muito bem algumas dessas coisas.
— Então, tenho duas sugestões. Primeira, nunca mais
mencione a pintura do quarto. Esqueça e jamais fale com ele sobre
isso.
Ela olhou para mim e disse:
— Não vejo em que isso pode ajudar!
O objetivo do amor não é
você conseguir algo que deseje, mas fazer
alguma coisa pelo bem-estar daquele a
quem ama. No entanto, é fato que,
quando recebemos elogios, dispomo-nos.
Escute, você acabou de dizer que ele já sabe qual é o seu
desejo: gostaria que ele pintasse o quarto. Não é mais preciso dizer-
lhe isso. Ele já sabe. A segunda sugestão é a seguinte: na próxima
vez que seu marido fizer alguma coisa bem feita, expresse isso a ele
verbalmente, elogiando-o. Se ele levar o lixo para fora, diga-lhe algo
como “Bob, quero que você saiba que sou muito grata por ter levado
o lixo para fora”.
— Não diga jamais:
“Se demorasse mais para levar esse lixo para fora, as moscas
fariam isso por você!”
— Quando ele pegar as contas para pagar, diga algo como:
“Obrigada por pagar nossas contas; há maridos que não fazem
isso e quero que saiba que sou realmente muita grata!”
— Todas as vezes que ele fizer algo de bom, elogie-o.
— Não vejo como isso pode fazer com que ele pinte o quarto!
— A senhora pediu meu conselho, eu o dei. Faça como achar
melhor!
Ela não estava muito satisfeita comigo quando foi embora. Três
semanas mais tarde ela voltou a meu escritório e disse:
— Deu certo!
Ela aprendeu que as palavras elogiosas são realmente
motivadoras.
Não sugiro que use de bajulação para conseguir o que deseja de
seu cônjuge. O objetivo do amor não é obter o que se quer, mas fazer
algo pelo bem-estar daquele a quem se ama. É verdade, porém, que
ao recebermos palavras elogiosas, de afirmação, tornamo-nos mais
motivados a sermos recíprocos e a fazermos algo que nosso cônjuge
deseje.
Amor é o vocábulo mais importante em qualquer idioma — e
também o que mais gera confusão! Pensadores, tanto seculares
quanto religiosos, concordam que este sentimento ocupa um papel
central em nossa vida. Diz-se que “o amor é uma coisa esplendorosa”
e “o amor faz o mundo girar”. Milhares de livros, músicas, revistas e
filmes existem pela inspiração dessa palavra. Inúmeros sistemas
filosóficos e teológicos estabeleceram um lugar de destaque para esse
sentimento. E o fundador da fé cristã coloca o amor como a ca-
racterística que deve distinguir seus seguidores.
1
Psicólogos concluíram que sentir-se amado é a principal
necessidade do ser humano. Por amor, subimos montanhas,
atravessamos mares, cruzamos desertos e enfrentamos todo tipo de
adversidade. Sem amor, montanhas tornam-se insuperáveis, mares
intransponíveis, desertos insuportáveis e dificuldades avolumam-se
pela vida afora. O apóstolo dos gentios, Paulo, exaltou o amor ao
afirmar que qualquer ato humano não motivado por esse sentimento
é em si vazio e sem significado. Concluiu que na última cena do
drama humano, somente três características permanecerão: “fé,
esperança e amor. Porém, a maior delas, é o amor”.
2
Se concordarmos que a palavra amor permeia a sociedade
humana, tanto no passado, como no presente, devemos admitir que
também é uma das mais confusas. Nós a utilizamos em milhares de
formas. Dizemos: “Eu amo cachorro quente!” e, numa outra frase:
“Eu amo minha mãe!” Nós a usamos para descrever atividades que
apreciamos: nadar, patinar e caçar. Amamos objetos: comida, carros
e casas. Amamos animais: cachorros, gatos e até tartarugas. Amamos
a natureza: árvores, grama, flores e estações. Amamos pessoas: mãe,
pai, filhos, esposas, maridos e amigos. Chegamos até a nos apaixonar
pelo próprio amor.
Como se isso tudo não fosse suficientemente confuso, também
usamos a palavra amor para explicar determinados comportamentos:
“Agi dessa forma porque a amo”. Essa explicação muitas vezes é dada como desculpa. Um homem que se envolve em adultério chama
esse relacionamento de amor. O pastor, por sua vez, chama-o de
pecado. A esposa de um alcoólatra recolhe os “pedaços” após o
último “episódio” de seu marido. Ela chama essa atitude de amor; os
psiquiatras, porém, tratam-na como co-dependente. Um pai que
atende a todos os desejos de seu filho também chama essa atitude de
amor. Um terapeuta familiar chamaria de paternidade irresponsável.
O que é um comportamento amoroso?
O propósito deste livro não é o de desfazer a confusão que gira
em torno deste sublime sentimento, mas focalizar aquele tipo de
amor que é essencial a nossa saúde emocional. Psicólogos infantis
afirmam que toda criança possui necessidades emocionais básicas
que devem ser supridas para que se possa atingir uma estabilidade
emocional. Entre elas, nenhuma é tão essencial quanto o amor, a
afeição e a necessidade de alguém sentir que pertence a outro e é
querido. Com um suprimento adequado de afeição, uma criança
tornar-se-á um adulto responsável. Sem esse amor essencial, ele ou
ela ficará emocional e socialmente atrofiado.
Logo que ouvi a metáfora que cito a seguir, gostei muito dela:
“Dentro de cada criança há um ‘tanque emocional’ esperando para
ser cheio com o amor. Se ela se sentir amada, desenvolver-se-á
normalmente; porém, se seu “tanque de amor” estiver vazio, ela
apresentará muitas dificuldades. Diversos dos problemas de
comportamento de uma criança provêm do fato de seu ‘tanque de
amor’ estar vazio”. Essa metáfora foi dada pelo Dr. Ross Campbell,
um psiquiatra que se especializou no tratamento de crianças e
adolescentes.
Enquanto eu o ouvia falar, pensei nas centenas de pais que, em
meu escritório, desfilavam as inúmeras reclamações sobre seus
filhos. Até então, eu nunca pensara em uma criança daquelas como
um “tanque de amor” vazio, mas sem dúvida via os resultados dessa
situação. Os problemas de comportamento apresentados eram uma
forma de procurar o amor que não recebiam. Eles buscavam o amor
nos lugares e nas formas erradas.
Lembrei-me de Ashley que aos treze anos de idade cuidava de
uma doença sexualmente transmissível. Seus pais estavam chocados.
Ficaram “uma fera” com a filha e também muito bravos com a escola, a qual culpavam por ensinarem sobre sexo. “Por que é que ela
teve de fazer o que fez?”, perguntavam.
No âmago da existência do ser
humano encontra-se o desejo
de intimidade e de ser amado.
O casamento foi idealizado
para suprir essas necessidades.
Em minha conversa com Ashley, ela me falou do divórcio de
seus pais quando tinha apenas seis anos de idade.
“Eu pensei que meu pai tinha ido embora porque não gostava
de mim! Quando minha mãe casou-se novamente eu estava com dez
anos de idade. Então pensei que ela já tinha quem a amasse, e eu não
possuía ninguém. Eu desejava tanto ser amada por alguém! E então
conheci esse garoto lá na escola. Ele era bem mais velho, mas
gostava de mim! Eu não conseguia acreditar! Ele era muito gentil
comigo e, por um tempo, acreditei que ele realmente gostava de
mim. Eu não queria fazer sexo, mas desejava desesperadamente ser
amada!”
O “tanque de amor” de Ashley ficou vazio durante muitos
anos. Sua mãe e seu padrasto providenciavam tudo que ela
necessitava em termos materiais, mas não perceberam a enorme
carência emocional que havia dentro dela. Eles certamente a amavam
e achavam que ela se sentia amada por eles. Já era quase tarde
demais quando descobriram que não falavam a primeira linguagem
do amor de Ashley.
A necessidade de alguém ser amado emocionalmente, no
entanto, não é uma característica unicamente infantil. Ela nos segue
pela vida adulta; inclusive no casamento. Quando nos apaixonamos,
temporariamente essa necessidade é suprida, mas ela se torna um
“quebra-galho” e, como acabamos descobrindo mais tarde, com
duração limitada e até prevista. Após despencarmos dos píncaros da
paixão, a necessidade emocional de ser amado ressurge porque é
inerente à nossa natureza. Está no centro de nossos desejos
emocionais. Precisamos do amor antes de nos apaixonar e
continuaremos a necessitar dele enquanto vivermos.A necessidade de sermos amados por nosso cônjuge está na
essência dos anseios conjugais. Recentemente certo cidadão me
disse:
“De que adianta ter mansão, carros, casa na praia e tudo o
mais, se sua esposa não o ama?!”
Dá para entender o que ele realmente desejava dizer? Era:
“Mais do que tudo, eu desejo ser amado por minha esposa!”
As coisas materiais não podem substituir o amor humano e
emocional. Uma esposa disse, certa vez:
“Ele me ignora o dia inteirinho, mas à noite quer fazer sexo
comigo. Eu odeio isso!”
Ela não odeia sexo, mas precisa desesperadamente do amor
emocional.
Alguma coisa em nossa natureza clama por ser amado ou
amada. O isolamento é devastador para a psique humana. E por esse
motivo que o confinamento é considerado a mais cruel das punições.
No âmago da nossa existência há o íntimo desejo de sermos amados.
O casamento foi idealizado para atingir essa necessidade de
intimidade e de amor. Por esse motivo os antigos registros bíblicos
dizem que o homem e a mulher tornam-se uma só carne. Isso não
significa que as pessoas perderão suas identidades; quer dizer que
ambos entrarão nas vidas um do outro, de forma íntima e profunda.
O Novo Testamento desafia os maridos e as esposas a amarem-se
mutuamente. De Platão a Peck os escritores têm enfatizado a
importância do amor no casamento.
No entanto, esse amor que é tão importante, também é
“escorregadio”. Tenho ouvido a confissão de muitos casais contando
suas queixas secretas. Alguns chegam a mim porque a dor interior
tornou-se praticamente insuportável. Outros, porque percebem que o
comportamento que assumem perante as falhas do cônjuge poderá
levar o casamento à destruição. Há também os que simplesmente
vêm para falar que não querem mais continuar casados. Seus sonhos
de “viverem felizes para sempre” espatifaram-se contra o duro muro
da realidade. Repetidas vezes ouço as palavras:“Nosso amor terminou. O relacionamento morreu. Sentíamo-
nos próximos um do outro, mas agora isso não existe mais. Não
apreciamos mais ficar juntos. Não nos completamos mais um ao
outro.”
Essas histórias testificam que tanto os adultos como as crianças
possuem “tanques de amor”.
Será que lá no interior de cada um desses casais machucados
existe um indicador invisível de um “tanque” vazio? Será que esses
comportamentos inadequados, separações, palavras duras e espírito
crítico acontecem devido a esse “tanque” vazio? Se pudermos achar
uma forma de enchê-lo, será que o casamento renasceria? O “tanque”
cheio possibilitaria que os casais criassem um clima emocional onde
seria possível discutir as diferenças e resolver os conflitos? Será que
esse “tanque” é a chave para que um casamento perdure?
Essas perguntas levaram-me a uma longa viagem. Em plena
estrada descobri os simples, porém poderosos pontos de vista
registrados neste livro. Essa caminhada levou-me não somente
através de mais de vinte anos de aconselhamento conjugai, mas
também às mentes e corações de centenas de casais através da
América do Norte. De Seattle a Miami, fui convidado a adentrar no
recôndito do casamento de vários casais e conversamos francamente.
As histórias apresentadas neste livro foram retiradas da vida real.
Nomes e lugares foram trocados para proteger a privacidade das
pessoas que falaram com toda a liberdade.
Estou convencido de que manter cheio o “tanque de amor” do
casamento é tão importante quanto manter o nível do óleo em um
automóvel. Levar um casamento com o “tanque de amor” vazio pode
ser até mais difícil do que tentar dirigir um carro sem combustível. O
que você descobrirá nesta obra tem o potencial para salvar milhares
de casamentos, podendo também melhorar o clima emocional de um
matrimônio que já esteja indo bem. Qualquer que seja a qualidade de
seu casamento, sempre pode melhorar.
ADVERTÊNCIA: Compreender os cinco idiomas do amor e
aprender a falar a primeira linguagem do amor de seu cônjuge pode
alterar completamente o comportamento dele. As pessoas
relacionam-se de forma diferente quando seu “tanque de amor” está cheio.
Antes de examinarmos as cinco linguagens do amor,
precisamos abordar um outro importante, porém confuso fenômeno:
A eufórica experiência de apaixonar-se.
Notas
1. João 13.35
2. 1 Coríntios 13.13
Apaixonando-se 3. Apaixonando-se
Ela entrou em meu escritório sem hora marcada e perguntou à
minha secretária se poderia falar comigo durante cinco minutos. Eu
conhecia Janice há muito tempo. Ela estava com 36 anos e nunca se
casara. Havia namorado vários rapazes no passar dos anos: um deles
durante seis anos, outro durante três e diversos por curtos períodos de
tempo. De vez em quando ela marcava uma consulta comigo para
conversar sobre alguma dificuldade específica que estivesse atra-
vessando em algum de seus relacionamentos. Ela era, por natureza,
uma pessoa disciplinada, consciente, organizada, reflexiva e
cuidadosa. Era completamente fora de suas características aparecer
em meu escritório sem ter hora marcada. Eu pensei: “Só alguma crise
terrível faria Janice vir aqui sem marcar hora!” Então, eu disse à
minha secretária que a deixasse entrar. Eu realmente esperava vê-la
debulhada em lágrimas, contando-me alguma trágica experiência
logo ao abrir a porta. No entanto, ela literalmente pulou para dentro
da sala, gritando animadamente. Perguntei-lhe:
— Como vai, Janice?
— Ótima! Nunca estive melhor em toda minha vida! Vou me
casar!
— É mesmo? (Eu disse demonstrando minha surpresa!)
— Com quem? Quando?— Com David Gallespie, em setembro.
— Isso é maravilhoso! Há quanto tempo vocês estão
namorando?
— Três semanas Sei que é loucura, Dr. Chapman, depois de ter
namorado tantos outros e de tantas vezes ter chegado perto do
casamento. Eu mesma não consigo acreditar, mas sei que o David é o
rapaz certo para mim! Pela primeira vez, nós dois descobrimos isso
juntos. É claro que não falamos sobre esse assunto na primeira vez
que saímos, mas uma semana depois ele me pediu em casamento. Eu
sabia que ele me pediria e eu aceitaria. Nunca me senti assim antes,
Dr. Chapman. O senhor conhece os relacionamentos que tive nesses
anos todos e as lutas que enfrentei. Em cada um deles, alguma coisa
não dava certo. Nunca tive a certeza de que deveria me casar com
algum deles, mas agora sei que David é a pessoa preparada por Deus!
Nesse momento Janice balançava-se para frente e para trás em
sua cadeira, rindo e dizendo:
— Sei que parece loucura, mas estou tão feliz! Nunca estive
tão feliz em toda minha vida.
O que acontecia com Janice? Ela estava apaixonada. Em sua
mente, David era o homem mais maravilhoso que ela já conhecera.
Ele era perfeito em todas as formas e também se tornaria o marido
ideal. Ela pensava nele dia e noite. O fato de David já ter sido casado
duas vezes, possuir três filhos e ter passado, somente no ano anterior,
por três empregos diferentes, não lhe importava. Ela estava feliz e
convencida de que seria feliz para sempre ao lado dele. Ela estava
apaixonada.
A maioria de nós entra para o casamento pela porta do amor.
Ocorre de conhecermos alguém que possui características físicas e
marcas em sua personalidade que disparam nosso sistema de alerta.
Os sinos tocam, e iniciamos o processo da descoberta de quem é
aquela pessoa. No primeiro encontro pode ser servido um
hambúrguer ou um belo churrasco, dependendo do nosso orçamento,
mas nosso real interesse não é a comida. Entramos em uma
empreitada para conhecer o amor. “Será que esse sentimento ardente,
borbulhante dentro de mim pode ser algo real?”Algumas vezes essas borbulhas desaparecem logo no primeiro
encontro, ao descobrirmos que ela, ou ele, funga. Dessa forma, as
borbulhas escorregam por nossos dedos e não queremos mais comer
hambúrguer com aquela pessoa. Outras vezes, porém, as borbulhas
aumentam mais ainda, após aquele lanche. Arrumamos vários outros
encontros e, pouco tempo depois, o nível de intensidade chega a
ponto de afirmarmos: “Acho que estou apaixonada (o)!” Pensando
que o sentimento é algo real, contamos à outra pessoa esperando que
isso seja recíproco. Se não é, as coisas dão uma esfriada, ou então
redobramos nossos esforços para impressionar e acabamos,
eventualmente, conquistando o amor de nosso (a) amado (a). Quando
há reciprocidade começamos a falar sobre casamento, porque todos
concordam que estar apaixonado é um alicerce necessário para se
manter um bom casamento.
Nossos sonhos, antes de
nos casarmos, são de êxtase
conjugai... É difícil pensar-se
qualquer outra coisa, quando
estamos apaixonados.
Nesse patamar, estar apaixonado (a) é uma experiência
eufórica. Um fica emocionalmente obcecado pelo outro. Dorme-se
pensando nele (nela). Levanta-se e aquela pessoa é a primeira coisa
que nos vem à mente. Ansiamos por estar juntos. Gastar tempo um
com o outro é como estar na antecâmara do céu. Quando andamos de
mãos dadas, é como se nossos corações batessem no mesmo
compasso. Beijaríamos um ao outro para sempre, se não tivéssemos
de ir à escola ou ao trabalho. O abraçar estimula sonhos de
casamento e êxtase. O rapaz apaixonado tem a ilusão de que sua
amada é perfeita. A mãe pode ver falhas, mas ele, não. A mãe diz:
— Querido, você já considerou o fato de que ela esteve em
tratamento psiquiátrico durante cinco anos?
Ele, porém, replica:
— Oh, mãe, dá um tempo! Já faz três meses que ela está de
alta.Seus amigos também vêem algumas falhas, mas não se atrevem
a dizer nada, a menos que ele peça, e as chances disso acontecer são
inexistentes porque, em sua cabeça, ela é perfeita e o que os outros
pensam, não lhe importa.
Nossos sonhos, antes de nos casarmos, são de êxtase conjugai:
— Vamos fazer um ao outro superfelizes. Outros casais podem
discutir e brigar, mas isso não acontecerá conosco! Nós nos amamos.
Naturalmente, não ficamos de todo enganados. Sabemos, ao
utilizar o racional, que teremos algumas diferenças. Porém, temos
certeza de que conversaremos abertamente sobre elas, um de nós
cederá e assim chegaremos a um denominador comum. É muito
difícil pensar algo diferente quando se vive um clima de paixão.
Somos levados a acreditar que, se realmente estivermos
apaixonados, esse amor durará para sempre. Os maravilhosos
sentimentos dos quais partilhamos no momento nos acompanharão
até o fim de nossas vidas. Nada se interporá entre nós. Estamos
enamorados e aprisionados pela beleza e charme da personalidade
um do outro. Nosso amor é a melhor coisa da qual já desfrutamos.
Notamos que alguns casais chegaram a perder esse sentimento, mas
isso nunca acontecerá conosco. Fazemos, portanto, a seguinte
colocação:
“É possível que eles nunca tenham sentido um amor verdadeiro
como o nosso!”
Infelizmente, a eternidade da paixão é uma ficção e não um
fato. A psicóloga Dorothy Tennov desenvolveu longos estudos sobre
este fenômeno. Após estudar os comportamentos entre os casais, ela
concluiu que o tempo médio de extensão da obsessão romântica é de
dois anos. Se a paixão foi um fruto proibido, talvez dure um pouco
mais. Eventualmente, todos nós descemos das nuvens e pisamos com
nossos pés em terra novamente. Nossos olhos abrem-se e passamos a
enxergar as “verrugas” da outra pessoa. Descobrimos que alguns de
seus traços de personalidade são realmente irritantes. Seus padrões
de comportamento aborrecem-nos. Possuem também capacidade para
machucar e irar-se, e utilizam também palavras duras e julgamentos
críticos. Esses traços que não percebemos quando estávamos apaixonados tornam-se agora enormes montanhas. Então nos
recordamos das palavras ditas por nossa mãe e perguntamos a nós
mesmos: “Como pude ser tão tolo?”
Bem-vindos ao mundo real do casamento, onde fios de cabelo
sempre estarão na pia e respingos brancos da pasta de dente estarão
no espelho; discussões ocorrem por causa do lado de se colocar o
papel higiênico: se a folha deve ser puxada por baixo ou por cima. E
um mundo onde os sapatos não andam até o guarda-roupa e as
gavetas não fecham sozinhas; os casacos não gostam de cabides e pés
de meia somem quando vão para a máquina de lavar. Nesse mundo,
um olhar pode machucar, uma palavra pode quebrar. Amantes podem
tornar-se inimigos e o casamento um campo de batalha sem trégua.
O que aconteceu com a paixão? Que coisa! Foi uma ilusão que
nos enganou e levou-nos a assinar nossos nomes na linha
pontilhada... na alegria e na tristeza. Não é de se admirar que tantos
amaldiçoem o casamento e o ex-cônjuge, a quem um dia amaram.
Além disso, se fomos enganados, temos o direito de ficar bravos.
Será que foi realmente amor? Acho que sim. O problema é que
houve falta de informação.
A principal falha na informação é o falso conceito de que a
paixão dura para sempre. Deveríamos saber disso. Uma simples
observação é o bastante para concluirmos que, se as pessoas
permanecessem obcecadas pela paixão, estaríamos em grandes
apuros. As ondas da paixão iriam de encontro aos negócios, à
indústria, à igreja, à educação e ao restante da sociedade. Por quê?
Porque pessoas apaixonadas perdem o interesse nas outras coisas.
Por esse motivo também chamamos a paixão de obsessão. O
estudante colegial que entra em uma “paixão avassaladora”, vê suas
notas despencarem. É difícil concentrar-se nos estudos quando se
está apaixonado. Amanhã vai cair na prova a Segunda Guerra
Mundial. Mas, quem se importa com essa guerra? Quando se está
apaixonado (a), tudo o mais parece irrelevante. Um certo senhor me
disse:
— Dr. Chapman, meu trabalho é estafante! Eu, então, lhe
perguntei:
— O que você quer dizer com isso?— Eu conheci uma garota, apaixonei-me por ela e desde então
não consigo fazer mais nada! Não consigo concentrar-me no serviço.
Fico o dia inteiro sonhando com ela!
A euforia do estado de paixão concede-nos a ilusão de que
estamos em um relacionamento bem íntimo. Sentimos como se nos
pertencêssemos um ao outro. Passamos a pensar que somos capazes
de enfrentar qualquer problema que surja. Sentimo-nos altruístas em
relação um ao outro. Um jovem disse a respeito de sua noiva:
“Não consigo nem pensar em fazer algo que a magoe. Meu
único desejo é vê-la feliz!”
Essa obsessão dá-nos o falso sentimento de que nossas atitudes
egocêntricas foram erradicadas e tornamo-nos um tipo de “Madre
Teresa de Calcutá”, de tão desejosos que ficamos de fazer qualquer
coisa para o bem de nosso (a) amado (a). A razão pela qual nos
sentimos tão à vontade para fazer tais coisas, deve-se ao fato de
sinceramente acreditarmos que a pessoa por quem estamos
apaixonados sente o mesmo por nós. Cremos que ela também está
comprometida em suprir nossas necessidades, e ama-nos tanto
quanto a amamos e também nada fará para nos magoar.
Esse modo de pensar é realmente uma utopia. Não é que
sejamos hipócritas quanto ao que pensamos e sentimos, mas estamos
dominados por expectativas irreais. Cometemos um erro de avaliação
da natureza humana. Normalmente somos egoístas. Nosso mundo
resume-se em nós mesmos. Ninguém é inteiramente altruísta. A
euforia da paixão é que estabelece essa ilusão.
Uma vez que a experiência da paixão siga seu rumo normal (é
bom lembrar que, em média, a paixão dura por volta de uns dois
anos), retornamos ao mundo real e começamos a nos impor. Ele
expressa seus desejos, mas são diferentes dos dela. Ele deseja sexo,
mas ela está muito cansada! Ele quer comprar um carro novo, mas
ela diz que essa idéia é um absurdo. Ela quer visitar os pais, mas ele
diz que não quer gastar tanto tempo com a família dela. Ele quer
jogar futebol, mas ela diz:
— Você gosta mais de futebol do que de mim!!
Gradativamente a ilusão da intimidade dilui-se e os desejos individuais, as emoções, os pensamentos e os padrões de
comportamento assumem seus lugares. Tornam-se duas pessoas.
Suas mentes não se fundiram em uma só e suas emoções misturaram-
se superficialmente no oceano do amor. Agora, então, as ondas da
realidade começam a separá-los. Eles saem do domínio da paixão e
nesse ponto muitos desistem e separam-se, divorciam-se e partem em
busca de uma nova paixão; ou então desenvolvem o árduo trabalho
de aprenderem a amar-se mutuamente sem a euforia da paixão.
A experiência da paixão não possui
enfoque em nosso próprio crescimento,
nem no crescimento e desenvolvimento
do cônjuge. Dificilmente também fornece
o senso de realização.
Alguns pesquisadores, entre eles o psiquiatra M. Scott Peck e a
psicóloga Dorothy Tennov, chegaram à conclusão de que a
experiência da paixão não deveria, de forma alguma, ser chamada de
amor. Dr. Peck concluiu que o apaixonar-se não é amor verdadeiro,
por três razões:
Primeira, apaixonar-se não é um ato da vontade nem uma
escolha consciente. Não importa o quanto desejemos, não con-
seguimos apaixonar-nos voluntariamente. Por outro lado, mesmo que
não busquemos essa experiência, ela pode, simplesmente, acontecer
em nossa vida. Muitas vezes apaixonamo-nos no momento errado e
pela pessoa errada!
Segunda, apaixonar-se não é amor verdadeiro porque não
implica em nenhuma participação de nossa parte. Qualquer coisa que
façamos apaixonados, requererá pouca disciplina e esforço. Os
longos e dispendiosos telefonemas realizados, o dinheiro gasto em
viagem para ficarmos juntos, os presentes, e todo trabalho envolvido,
nada representam. Da mesma forma que os pássaros constroem
instintivamente seus ninhos, a natureza da pessoa apaixonada
impulsiona na realização de atos inusitados e não naturais, de um
para com o outro.
Terceira, a pessoa apaixonada não está genuinamente in-
teressada em incentivar o crescimento pessoal daquela por quem nutre sua paixão. “Se temos algum propósito em mente ao nos
apaixonarmos, é o de terminar nossa própria solidão e, talvez,
assegurar essa solução através do casamento”.
1
A paixão não se
focaliza em nosso crescimento pessoal e nem tampouco no da outra
pessoa amada. Pelo contrário, a sensação é a de que já se chegou
onde se deveria alcançar e não é necessário crescer mais.
Encontramo-nos no ápice da felicidade e nosso único desejo é
continuar lá. E nosso (a) amado (a), naturalmente, também não
precisa mais crescer, pois já é perfeito (a). Esperamos somente que
ele (ela) mantenha essa perfeição.
Se apaixonar-se não é amor, então o que é? Dr. Peck afirma: “E
um componente instintivo e geneticamente determinado do
comportamento de acasalamento. Em outras palavras, um colapso
temporário das reservas do ego que constituem o apaixonar-se; é uma
reação estereotipada do ser humano a uma configuração de
tendências sexuais internas e estimulações sexuais externas, as quais
designam-se ao crescimento da probabilidade da união e elo sexual,
tendo em vista a perpetuação da espécie”.
Quer concordemos ou não com essa conclusão, os que dentre
nós se apaixonaram e também saíram desse estado de paixão,
concluirão que essa experiência arremessa-nos a uma órbita
emocional diferente de qualquer outra que porventura
experimentamos. A tendência é o rompimento com a nossa razão, o
que nos leva a fazer e a dizer coisas que nunca faríamos, ou diríamos
em momentos de maior sobriedade. De fato, quando saímos desse
estado de paixão, questionamos como pudemos ter feito tais coisas.
Quando a onda da emoção passa e voltamos ao mundo real, onde as
diferenças são notórias, quantos de nós fizeram para si a pergunta:
“Por que me casei? Não combinamos em nada!” No entanto,
quando estávamos no auge da paixão, pensávamos que com-
binávamos em tudo — pelo menos, em tudo que era importante.
Isso significa que, por termos sido “fisgados” dentro da ilusão
da paixão, encontramo-nos agora frente a duas opções: 1 — estamos
destinados a uma vida miserável com nosso cônjuge, ou 2 —
devemos nos separar e tentar novamente? Nossa geração tem optado
pela última decisão, ao passo que a anterior escolheu a primeira.
Antes de concluirmos automaticamente o fato de que fizemos a melhor escolha, devemos examinar os dados. Atualmente, 40% dos
primeiros casamentos, nos Estados Unidos, terminam em divórcio;
60% dos segundos e 75% dos terceiros, também. Pelo que se pode
ver, a perspectiva de um segundo e terceiro casamentos felizes, não é
muito atingida.
As pesquisas realizadas parecem indicar que existe uma
terceira e melhor alternativa: reconhecer que a paixão é o que é —
um pico emocional temporário — e então desenvolver o amor
verdadeiro com nosso cônjuge. Esse tipo de sentimento é de natureza
emocional, mas não obsessivo. É o amor que une razão e emoção.
Envolve um ato da vontade e requer disciplina, pois reconhece a
necessidade de um crescimento pessoal. Nossa necessidade
emocional básica não é apaixonar-se, mas ser genuinamente amado
(a) pelo outro; é conhecer o amor que cresce com base na razão e na
escolha e não no instinto. Preciso ser amado por alguém que
escolheu me amar, que vê em mim algo digno de ser amado.
Esse tipo de amor requer esforço e disciplina. É a escolha que
fazemos de gastar nossa energia em benefício da outra pessoa,
sabendo que, se sua vida é enriquecida por nosso esforço, também
nos sentimos satisfeitos — a satisfação de termos realmente amado
alguém. Não exige a euforia na experiência da paixão. Para falar a
verdade, o amor verdadeiro não começa enquanto a experiência da
paixão não tiver seguido seu curso.
Amor racional, volitivo,
é o tipo de amor para o qual
os sábios nos conclamam.
Não se deve levar em consideração os atos de bondade
praticados por alguém que se encontre sob a influência da paixão
obsessiva. Uma força instintiva impulsiona e suscita ações que vão
além do comportamento normal. Porém, um retorno ao mundo real
onde se inclui a escolha humana, permite optarmos por sermos gentis
e generosos, o que é o amor verdadeiro.
A necessidade emocional de amor deve ser suprida se formos
emocionalmente saudáveis. Adultos casados desejam sentir-se
amados por seus cônjuges. Sentimo-nos seguros quando nossos
companheiros aceitam-nos, desejam-nos e estão comprometidos com nosso bem-estar. Durante o estágio da paixão sentimos todas essas
emoções. É fantástico enquanto dura. Nosso erro é achar que ela
nunca acabará.
Essa obsessão, no entanto, não dura para sempre. Se
equipararmos o casamento a um livro, poderemos compará-lo à
introdução do mesmo. O âmago desta obra é o amor racional e
volitivo. Esse é o tipo para o qual os sábios sempre nos conclamam.
E um amor intencional.
Essa é uma boa notícia aos casais que perderam seus
sentimentos de paixão. Se o amor é uma opção, então eles possuem a
capacidade de amar após a experiência da paixão haver passado e
regressarem ao mundo real. Esse tipo de amor inicia-se com uma
atitude — o modo de pensar. Amor é a atitude que diz: “Sou casado
(a) com você e escolho lutar pelos seus interesses!” Então, os que
optam por amar encontrarão formas apropriadas para demonstrar
essa decisão.
Alguém pode comentar: “Isso parece tão estéril! Amor como
uma atitude e com um comportamento apropriado? Onde estão as
estrelas cadentes e as fortes emoções? Onde ficam a ansiedade do
encontro, a piscada de olho, a eletricidade do beijo e o entusiasmo do
sexo? E a segurança emocional de se saber que ocupamos o primeiro
lugar na mente da outra pessoa?”
Este livro é exatamente sobre isso. Como suprir as profundas
necessidades de amor de uma pessoa? Se aprendermos e optarmos
por isso, então o amor que compartilharmos tornar-se-á melhor do
que qualquer coisa que possamos sentir enquanto dominados pela
paixão.
Durante vários anos tenho compartilhado o conceito das cinco
linguagens do amor em meus seminários e nas sessões de
aconselhamento. Milhares de casais atestarão a validade do que você
descobrirá através desta leitura. Meus arquivos estão lotados de
cartas de pessoas com quem nunca me encontrei, dizendo: “Um
amigo meu me emprestou uma de suas fitas sobre ás linguagens do
amor e sua mensagem revolucionou meu casamento. Tínhamos
tentado há anos amar-nos, mas não conseguíamos. Agora que
falamos as linguagens adequadas do amor, o clima emocional de nosso casamento tem melhorado muito!”
Quando o “tanque do amor” emocional de seu cônjuge está
cheio e ele se sente seguro de seu amor, o mundo todo fica mais claro
e ele caminha para atingir o mais alto potencial de sua vida. Porém,
quando este “reservatório” está vazio e ele se sente usado e não
amado, o mundo todo parecerá escuro e não conseguirá utilizar seu
potencial de vida. Nos próximos cinco capítulos explicarei as cinco
primeiras linguagens emocionais do amor e então, no de número 9,
ilustrarei como descobri-las, pois podem tornar seu esforço de amar
mais produtivo.
Notas:
1. M. Scott Peck, The Road Less Travelled (A Estrada Menos
Percorrida) (New York: Simon & Schuster, 1978), pp. 89,90.
2. Ibid., p. 90
4. A Primeira Linguagem do Amor: Palavras de 4. A Primeira Linguagem do Amor: Palavras de
Afirmação Afirmação
Mark Twain disse certa vez: “Um bom elogio pode me manter
vivo durante dois meses”. Se tomarmos suas palavras ao pé da letra,
seis elogios por ano manteriam seu “tanque do amor” em nível
operacional. Sua esposa, porém, provavelmente precisará de mais do
que isso.
Uma forma de se expressar o amor emocional é utilizar
palavras que edificam. Salomão, um dos escritores da Bíblia,
escreveu: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a
utiliza come do seu fruto”.
1
Muitos casais nunca aprenderam o
tremendo poder de uma afirmação verbal mútua. Mais tarde, este rei
acrescentou: “A ansiedade no coração do homem o abate, mas a boa
palavra o alegra”.
2
Elogios verbais e palavras de apreciação são poderosos
comunicadores do amor. São os melhores comunicados em forma de
expressão direta e simples, como:“Você ficou tão elegante com esse terno!” “Você está muito
bem com esse vestido!” “Ninguém faz essas batatas melhor que
você!”
“Querido, muito obrigada por ter lavado a louça para mim esta
noite!”
“Muito obrigada por pagar mais um dia da faxineira esta
semana. Quero que saiba que estou realmente grata!”
“Muito obrigado por ter feito um jantar tão gostoso!”
O que deverá acontecer ao clima emocional do casamento se o
marido e a mulher ouvirem essas palavras de afirmação
regularmente?
Anos atrás eu estava em meu escritório com a porta aberta
quando uma senhora apareceu de repente e perguntou:
— O senhor tem um minuto?
— Sim, claro — respondi. Ela se sentou e disse:
— Dr. Chapman, estou com um problema. Não consigo fazer
com que meu marido pinte o nosso quarto. Já faz nove meses que lhe
peço diariamente, mas não tem adiantado. Já tentei tudo o que podia,
mas não há jeito.
Meu primeiro pensamento foi: “Minha senhora, parece que
você bateu na porta errada. Não temos pintores aqui”. No entanto,
virei-me para ela e disse:
— Fale-me sobre isso. E ela começou a contar:
— Bem, sábado passado foi um grande exemplo. Lembra-se
como o dia estava lindo? Sabe o que meu marido fez o dia inteiro?
Lavou e encerou o carro.
— E o que a senhora fez?
— Fui à garagem e disse:
— Bob, não consigo entendê-lo. O dia hoje está perfeito para pintar o quarto e você está aqui lavando e encerando o carro!
— E seu comentário deu certo? Ele foi pintar o quarto?
— Não. O quarto encontra-se do jeito que estava, sem pintura.
Não sei mais o que fazer!
— Deixe-me fazer-lhe uma pergunta: A senhora é contra carros
limpos e encerados?
— Não, mas quero que meu quarto seja pintado!
— A senhora tem certeza de que seu marido sabe que a senhora
gostaria que ele pintasse o quarto?
— Estou plenamente convicta. Tenho pedido isso a ele durante
nove meses.
— Deixe-me fazer-lhe mais uma pergunta: Seu marido faz
alguma coisa bem feita?
— Como o quê?
— Coisas como recolher o lixo, limpar os vidros de seu carro,
colocar combustível no automóvel, pagar a conta de luz, ajudá-la a
vestir um casaco, etc.
— Sim, ele faz muito bem algumas dessas coisas.
— Então, tenho duas sugestões. Primeira, nunca mais
mencione a pintura do quarto. Esqueça e jamais fale com ele sobre
isso.
Ela olhou para mim e disse:
— Não vejo em que isso pode ajudar!
O objetivo do amor não é
você conseguir algo que deseje, mas fazer
alguma coisa pelo bem-estar daquele a
quem ama. No entanto, é fato que,
quando recebemos elogios, dispomo-nos.
Escute, você acabou de dizer que ele já sabe qual é o seu
desejo: gostaria que ele pintasse o quarto. Não é mais preciso dizer-
lhe isso. Ele já sabe. A segunda sugestão é a seguinte: na próxima
vez que seu marido fizer alguma coisa bem feita, expresse isso a ele
verbalmente, elogiando-o. Se ele levar o lixo para fora, diga-lhe algo
como “Bob, quero que você saiba que sou muito grata por ter levado
o lixo para fora”.
— Não diga jamais:
“Se demorasse mais para levar esse lixo para fora, as moscas
fariam isso por você!”
— Quando ele pegar as contas para pagar, diga algo como:
“Obrigada por pagar nossas contas; há maridos que não fazem
isso e quero que saiba que sou realmente muita grata!”
— Todas as vezes que ele fizer algo de bom, elogie-o.
— Não vejo como isso pode fazer com que ele pinte o quarto!
— A senhora pediu meu conselho, eu o dei. Faça como achar
melhor!
Ela não estava muito satisfeita comigo quando foi embora. Três
semanas mais tarde ela voltou a meu escritório e disse:
— Deu certo!
Ela aprendeu que as palavras elogiosas são realmente
motivadoras.
Não sugiro que use de bajulação para conseguir o que deseja de
seu cônjuge. O objetivo do amor não é obter o que se quer, mas fazer
algo pelo bem-estar daquele a quem se ama. É verdade, porém, que
ao recebermos palavras elogiosas, de afirmação, tornamo-nos mais
motivados a sermos recíprocos e a fazermos algo que nosso cônjuge
deseje.
