Porque os humanos têm um cérebro grande e complexo?
Juntamente com a linguagem, talvez a consciência de si mesmo, dos próprios atos e dos outros seja uma das últimas barreiras que separam de alguma maneira os seres humanos do resto dos animais. Quando questionado sobre a origem da consciência humana, o biólogo alemão Ernst Mayr, considerado o Darwin do século 20, respondeu com simplicidade: ela veio da consciência dos animais. Segundo ele, não há justificativa para considerá-la propriedade exclusiva da espécie humana. Trata-se de uma característica moldada pela evolução. E é o que fica comprovado com formas rudimentares de noção do próprio corpo, observadas entre grandes primatas e outros mamíferos (veja quadro nesta página). Há décadas a ciência busca explicar o que nos faz diferentes dos nossos parentes mais próximos, os chimpanzés. Afinal, eles têm memória, são capazes de rir, já foram flagrados criando alianças para derrubar um macho líder e até mesmo em situações em que parecem se colocar no lugar do outro, coisa que se imaginava ser exclusivamente humana.
A resposta mais direta para a pergunta acima então é: porque os humanos têm um cérebro grande e complexo. Mas por que ele se desenvolveu assim? Levando especificamente a consciência em consideração, a resposta pode ser a nossa vida social extremamente complexa, cheia de alianças, viradas de mesa e traições. A necessidade de estar um passo à frente dos outros, de antecipar as jogadas de companheiros e adversários, teria aumentado significativamente nosso processamento cerebral. E, para entender a cabeça dos outros, nada melhor do que usar a nossa compreensão de nós mesmos como um “modelo” deles. Nasceria, assim, a autoconsciência.
